**************************Blog da Biblioteca Escolar da Esc. Sec. José Estêvão - Aveiro************************* Visite também: http://bibliote51.wixsite.com/bibliotecaesje
Mostrar mensagens com a etiqueta Literatura Portuguesa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Literatura Portuguesa. Mostrar todas as mensagens
segunda-feira, 8 de outubro de 2018
quinta-feira, 4 de outubro de 2018
20 anos de PRÉMIO NOBEL atribuído a JOSÉ SARAMAGO
Resumo
No dia 8 de outubro de 199 JOSÉ SARAMAGO tornou-se o primeiro, e até agora único, Prémio Nobel de Literatura em língua portuguesa.
Texto
Agora, passadas duas décadas, uma série de iniciativas pretende recordar esse momento histórico para a literatura lusófona, celebrando o Prémio e o Escritor que o recebeu.A Fundação José Saramago organiza ou co-organiza várias dessas atividades, tanto em Portugal como noutras partes do mundo. As celebrações arrancam nos dias 6 e 7 de outubro, com uma iniciativa organizada pelo Gabinete do Primeiro-Ministro em conjunto com a Fundação: o Primeiro-Ministro António Costa irá visitar lugares emblemáticos da vida e obra de José Saramago: Lanzarote, Azinhaga e Lisboa. Em Lanzarote, a visita contará com a presença do chefe de governo de Espanha, Pedro Sánchez.
Entre os dias 8 e 10 de outubro, em Coimbra, terá lugar o Congresso Internacional «José Saramago: 20 anos com o Prémio Nobel», coordenado pelo Professor Carlos Reis, que conta com 6 dezenas de comunicações e mais de 300 participantes. No primeiro dia do Congresso será apresentado o livro Último Caderno de Lanzarote (edição da Porto Editora), inédito de José Saramago.
Este livro será depois apresentado em Lisboa, a 12 de outubro, dia em que a Biblioteca Nacional de Portugal inaugura uma exposição documental dedicada a José Saramago. Esta sessão será também de apresentação de Um país levantado em alegria, de Ricardo Viel, que conta os bastidores dos dias que antecederam e que se seguiram ao anúncio do Prémio.
A 15 de dezembro, encerrando as comemorações, o Grande Auditório da Culturgest será palco da estreia mundial da sinfonia Memorial, composta por António Pinho Vargas, baseada em três romances de José Saramago e de celebração também dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Além de Lisboa, no Porto, em Madrid, Guadalajara, Belém do Pará, Vigo, Lanzarote, Azinhaga e em muitos outros cantos do mundo, José Saramago e a língua portuguesa serão celebrados.
(...)
Abaixo, deixamos a agenda das iniciativas programadas para a celebração dos 20 anos do Nobel.
Agenda 20 anos Nobel http://livro.dglab.gov.pt/sites/DGLB/Portugues/noticiasEventos/Paginas/20-anos-do-Nobel-a-Jos%c3%a9-Saramago.aspx
terça-feira, 5 de maio de 2015
E porque hoje é Dia da Língua Portuguesa...
A portentosa voz de Camané para palavras de um Poeta Maior: Fernando Pessoa.
"À capela" - apenas a voz como instrumento!
A portentosa voz de Camané para palavras de um Poeta Maior: Fernando Pessoa.
"À capela" - apenas a voz como instrumento!
► Camané empresta voz a palavras de Fernando Pessoa.
• Esta interpretação integrou uma série de 30 programas produzidos em 2009 para a "Casa Fernando Pessoa", no âmbito da comemoração dos 120 anos do nascimento do poeta. Todos filmados na "Casa Fernando Pessoa".
• Um vídeo de Elvis Veiguinha (vimeo.com/elvisveiguinha)
terça-feira, 24 de março de 2015
HERBERTO HELDER : 1930-2015
O poeta das edições limitadas vivia em quase reclusão, recusou receber o Prémio Pessoa e nunca se deixava fotografar.
Herberto Hélder (de seu nome completo Herberto Hélder de Oliveira) nasceu no Funchal, ilha da Madeira, no dia 23 de Novembro de 1930. Morreu ontem e foi um dos maiores Poetas do nosso tempo.

AOS AMIGOS
Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
— Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão.
(IN Lugar )
terça-feira, 10 de março de 2015
"ORPHEU" - 1915-2015

-
-
- "ORPHEU" - Revista Trimestral de Literatura
- Ano I - 1915, N.º 1, Janeiro - Fevereiro - Março
- Propriedade de: Orpheu, Lda.
- Editor: Antonio Ferro
- Direcção: Luiz de Montalvôr e Ronald de Carvalho
- Oficinas: Tipografia do Comércio
- - 10, Rua da Oliveira, ao Carmo - Lisboa.
- Capa desenhada por José Pacheco
-
-
-
- Sumario:
- Luiz de Montalvôr - Introducção
- Mario de Sá-Carneiro - Para os "Indicios de Oiro" (poemas)
- Ronald de Carvalho - Poemas
- Fernando Pessoa - O Marinheiro (drama estático)
- Alfredo Pedro Guisado - Treze Sonetos
- José de Almada-Negreiros - Frizos (prosas)
- Côrtes-Rodrigues - Poemas
- Alvaro de Campos - Opiário e Ode Triunfal
-
domingo, 30 de novembro de 2014
80 anos da publicação de "MENSAGEM"
Data de 30 de novembro de 1934 a 1ª edição desta obra icónica de Fernando Pessoa, o único livro publicado em vida do seu autor, que viria a falecer exactamente um ano depois.
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
Lídia Jorge vence Prémio Luso-Espanhol de Arte Cultura 2014
A escritora Lídia Jorge venceu o Prémio Luso-Espanhol de Arte Cultura 2014, atribuído pelo Ministério da Cultura de Espanha e pela Secretaria de Estado da Cultura de Portugal.
[...]
O júri justificou a atribuição deste prémio, anteriormente entregue, entre outros, a Perfecto Quadrado, Siza Vieira e Carlos Saura, por Lídia Jorge conseguir “criar uma relação e vínculo de união entre Portugal e Espanha através da sua contribuição para o conhecimento mútuo de ambos os países e, também, pelo valor da sua obra literária, que aborda algumas das questões fundamentais do nosso tempo”».
[...]
O júri justificou a atribuição deste prémio, anteriormente entregue, entre outros, a Perfecto Quadrado, Siza Vieira e Carlos Saura, por Lídia Jorge conseguir “criar uma relação e vínculo de união entre Portugal e Espanha através da sua contribuição para o conhecimento mútuo de ambos os países e, também, pelo valor da sua obra literária, que aborda algumas das questões fundamentais do nosso tempo”».
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
"Quem Disser o Contrário é Porque Tem Razão"
“Suspeitemos da literatura"
Isabel Lucas, Público
“Estas são reflexões de um homem de ofício", avisa Mário de Carvalho. E um dos principais convites a quem entrar neste que guia de escrita de ficção, que é também um guia de leitura (porque “dificilmente haverá um bom escritor onde não houver um bom leitor”) é o convite à suspeita. “Suspeitar que há outros mundos, outra gente, outros livros, outras ideias, de que pode haver uma coisa e o seu contrário", como sugere logo à entrada o título, algo provocatório, Quem Disser o Contrário é Porque Tem Razão. É o mais recente livro de Mário de Carvalho. Não é ficção, não gosta de lhe chamar ensaio porque foge às regras da academia. “Acho que se dissermos que é uma divagação encontramos mais ou menos a forma deste livro”, esclarece o autor que reuniu em cerca de 300 páginas anos de reflexões sobre o acto de escrever.
Leia, observe, anote, pense no que quer fazer — e
trabalhe muito. Numa sinalética simplista, esta podia ser a síntese,
incompleta e até talvez até errada, porque isso de se “dever fazer”
assusta este autor que insiste na suspeita, embora não se coíba de
apontar caminhos e fale mesmo de pactos essenciais em ficção, como o que
se faz entre o escritor e o leitor. Não um pacto tranquilo, mas que
permita passar a emoção, perceber a ironia; que a partir de uma série de
referências comuns – culturais, de vida – haja uma relação de
entendimento, nem que seja pelo desacordo. Por isso também o leitor está
sempre a ser para aqui chamado. Ele e escritor são um uno. Na obra a
construir e em todas as partilhadas na construção do tal colectivo para
que qualquer escritor quer falar. “Dificilmente levo a sério um escritor
que não tenha uma base de leituras. Não quer dizer que sejam aquelas
que eu sindico no livro, simplesmente temos de partir de um cânone — nem
que seja para o rejeitar, mas quando rejeitamos temos saber o que
estamos a rejeitar. Uma escrita que não tenha em conta a tradição
literária, que ignore uma espessura que vem de trás e esteja sempre a
descobrir coisas que já estão descobertas, é uma escrita que não vale a
pena”, refere Mário de Carvalho para começo de uma conversa com o
Ípsilon sobre um livro que é também uma resposta a muito “charlatanismo”
numa área que se convencionou chamar, tantas vezes de forma abusiva, de
ensino da escrita criativa. “Isto é um negócio de auto-ajuda e muitas
vezes essas regras são-nos apresentadas com um grande assertivismo. Eu
tento demostrar no meu livro que grandes autores, dos tais que se
‘devem’ frequentar, como o Maupassant ou o Flaubert ou o Tchékhov,
transgrediram essas normas habituais nos cursos de escrita criativa — e
transgrediram em grande, a ponto de muitas vezes fazerem o contrário”,
continua Mário de Carvalho, cauteloso sempre que usa a palavra “deve-se”
a não ser quando se trata do dever de se conhecer, enquanto leitor,
obras fundadoras.
Partindo de exemplos de obras que considera referências literárias (e aqui é preciso ter sempre em conta alguma subjectividade, a da escolha do autor), Mário de Carvalho dá uma enorme e completa aula de escrita. Dividido em seis capítulos, por sua vez subdivididos em 59 pontos práticos, o guia agora publicado desmonta o trabalho oficinal por trás de uma obra de ficção. Dá conselhos, aponta erros comuns, desfaz ideias feitas, mostra que o óbvio nem sempre é assim tão clarividente, revela dicas para o bom uso da língua e os efeitos que cada decisão tem na obra de ficção que se está a construir. No tom provocatório que Mário de Carvalho gosta de colocar no que faz e diz, este podia se um guia comportamental. Mas Mário de Carvalho prefere a justificação simples e clara: “Partindo da minha já longa experiência de escrita e de todas as contingências pelas quais o escritor passa, pensei que poderia ter interesse, nomeadamente para jovens autores, mas até para o próprio leitor, perceber a génese destas coisas."
terça-feira, 7 de outubro de 2014
"O Organista", novo conto de Lídia Jorge, apresentado no "Escritaria" 2014 , em Penafiel
Só que o órgão e o vazio eram duas coisas distintas, uma dentro da outra, e as duas não produziam nada. Então, o órgão e o vazio juntaram-se e chamaram (...)
fragmento de " O Organista"
terça-feira, 16 de setembro de 2014
«EÇA, AGORA E À LETRA - "Os Maias", de João Botelho»
Um dossiê temático sobre o filme, a ler no JL de 3-16 de setembro

D
quarta-feira, 18 de junho de 2014
PESSOA visto POR SARAMAGO que nos deixou há 4 anos
ao
fundo brilha tenuemente a chapazinha do número duzentos e um, é então
que Ricardo Reis repara que por baixo da sua porta passa uma réstia
luminosa, ter-se-ia esquecido, enfim, são coisas que podem acontecer a
qualquer, meteu a chave na fechadura, abriu, sentado na sofá estava um
homem, reconheceu-o imediatamente apesar de não o ver há tantos anos, e
não pensou que fosse acontecimento irregular estar ali à sua espera
Fernando Pessoa, disse Olá, embora duvidasse de que ele lhe responderia,
nem sempre o absurdo respeita a lógica, mas o caso é que respondeu,
disse Viva, e estendeu-lhe a mão, depois abraçaram-se, Então como tem
passado, um deles fez a pergunta, ou ambos, não importa averiguar,
considerando a insignificância da frase. Ricardo Reis despiu a
gabardina, pousou o chapéu, arrumou cuidadosamente a guarda-chuva no
lavatório, se ainda pingasse lá estaria o oleado do chão, mesmo assim
certificou-se primeiro, apalpou a seda húmida, já não escorre, durante
todo o caminho de regresso não chovera. Puxou uma cadeira e sentou-se
defronte do visitante, reparou que Fernando Pessoa estava em corpo bem
feito, que é a maneira portuguesa de dizer que o dito corpo não veste
sobretudo nem gabardina nem qualquer outra protecção contra o mau tempo,
nem sequer um chapéu para a cabeça, este tem só o fato preto, jaquetão,
colete e calça, camisa branca, preta também a gravata, e o sapato, e a
meia, como se apresentaria quem estivesse de luto ou tivesse por ofício
enterrar os outros. Olham-se ambos com simpatia, vê-se que estão
contentes por se terem reencontrado depois da longa ausência, e é
Fernando Pessoa quem primeiro fala, Soube que me foi visitar, eu não
estava, mas disseram-me quando cheguei, e Ricardo Reis respondeu assim,
Pensei que estivesse, pensei que nunca de lá saísse, Por enquanto saio,
ainda tenho uns oito meses para circular à vontade, explicou Fernando
Pessoa,
José Saramago, O Ano da Morte de Ricardo Reis
sexta-feira, 13 de junho de 2014
FERNANDO PESSOA -13 de junho de 1888
Destinado
a ser Joaquim, como o foram o seu pai e o seu avô paterno, o bebé
nascido há 126 anos viria a chegar ao mundo naquele que era o Dia de
Santo António, 13 de Junho. Por isso, o Joaquim deu lugar a Fernando
(como o santo, de Bulhões).... Talvez também por isso, depois de uma
vida a conviver com a Lisboa dos Santos Populares - e, entre eles, o
"seu" António - Fernando Pessoa deu, no seu último
ano de vida, um passo inesperado. Quase febrilmente, escreveu centenas
de "quadras ao gosto popular", onde a simplicidade das rimas se junta à
sua poética genial. As "quadras" de Fernando Pessoa estão, hoje em dia,
disponíveis nas mais diversas edições e formatos livreiros,
mostrando-nos um poeta mais próximo do povo, sem perder a sua tão
característica complexidade temática. Vamos partilhar, ao longo do dia,
vários exemplos. IN "O Meu Pessoa"
https://www.facebook.com/omeupessoa?hc_location=timeline
https://www.facebook.com/omeupessoa?hc_location=timeline

terça-feira, 13 de maio de 2014
Mimos que chegam até nós, surpresas que nos enternecem, dádivas que vamos guardar
Sabia que queria fazer algo que demonstrasse a pluralidade deste poeta. Assim, concebi o próprio Fernando Pessoa e três dos seus heterónimos a tentarem sair do seu imaginário (neste caso a cabeça), porque querem ser conhecidos por eles próprios (não estarem na sombra do poeta, querem ganhar vida). Como se sentem aprisionados, tal como o poeta os criou, construí uma cabeça em arame que faz lembrar uma cela, e é daí que tentam sair dois dos heterónimos - já que Alberto Caeiro se perdeu a contemplar o céu.
Materiais utilizados: arame (para moldar a cabeça do poeta), cimento (na base), biscuit ou porcelana fria (utilizada para moldar os bonecos), tintas e alguns materiais como os óculos e o chapéu.
maio de 2014
Francisca Ferreira, 12º D
segunda-feira, 28 de abril de 2014
COOLBOOKS quer revelar novos talentos e ser uma alternativa para a divulgação de autores portugueses.
Porto Editora lança chancela digital
«objectivo declarado é apostar em novos autores, aproveitando, designadamente, as “dezenas de originais que a Porto Editora recebe semanalmente”, alguns deles, (…), “com bastante qualidade”, mas cuja edição em papel seria arriscada.»E ao mesmo tempo que o digital permite testar junto do público autores nos quais as chancelas tradicionais do grupo teriam hoje mais dificuldade em apostar (…)»
Esta primeira fornada de ebooks completa-se com três livros de contos (são os mais baratos, a 2,99 euros): dois volumes de histórias breves de horror, para público juvenil, da autoria de Rui Péricles (um jovem autor nascido em 1994), e Sudoeste, de Olinda P. Gil.
sábado, 8 de março de 2014
"Sê plural como o universo!" - foi em 8 de março de 1914, foi há cem anos
Como escrevo em nome desses três?
Caeiro por pura e inesperada inspiração, sem saber ou sequer calcular que iria
escrever. Ricardo reis, depois de uma deliberação abstrata que subitamente se
concretiza numa ode. Campos, quando sinto um súbito impulso para escrever e não
sei o quê.
Fernando Pessoa (excerto da carta de Fernando Pessoa a Adolfo Casais
Monteiro)
Caeiro, Campos, Reis não são mais do
que sonhos diversos (…). Ter sonhado esses sonhos não libertou Pessoa da sua
solidão e da sua tristeza. Mas ajudou-nos a perceber que somos, como ele, puros
mutantes, descolando para formas inéditas de vida, para viagens ainda sem
itinerário. Com Caeiro fingimos que somos eternos, com Campos regressamos dos
impossíveis sonhos imperiais para a aventura labiríntica do quotidiano moderno,
com Reis encolhemos os ombros diante do Destino, compreendemos que o Fado não é
uma canção triste, mas a Tristeza feita verbo e com “Mensagem” sonhamos uma
pátria de sono para redimir a verdadeira.
Eduardo Lourenço, “Fernando, Rei da nossa
Baviera”
“Sê plural como o universo!” - foi em 8 de março de 1914, foi há cem anos
Aí por 1912, salvo erro (…) veio-me à ideia escrever
uns poemas de índole pagã. Esbocei umas coisas em verso irregular (não no
estilo de Álvaro de Campos,
mas num estilo de meia regularidade), e abandonei o caso. Esboçara-se-me,
contudo, numa penumbra mal urdida, um vago retrato da pessoa que estava a fazer
aquilo. (Tinha nascido, sem que eu soubesse, o Ricardo Reis.)
Ano
e meio, ou dois anos, depois lembrei-me um dia de fazer uma partida ao
Sá-Carneiro – (…) Levei uns dias a elaborar o poeta mas nada consegui. Num dia
em que finalmente desistira – foi em 8 de março de
1914 – acerquei-me de uma cómoda
alta, e, tomando um papel comecei a escrever, de pé, como escrevo sempre que
posso. E escrevi trinta e tantos poemas a fio, numa espécie de êxtase cuja
natureza não conseguirei definir. Foi o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei ter
outro assim. Abri com o título, “ O Guardador de Rebanhos”. E o que se seguiu
foi o aparecimento de alguém em mim, a quem dei desde logo o nome de Alberto Caeiro.
Desculpe o absurdo da frase: aparecera em mim o meu mestre.
Fernando Pessoa (excerto da carta de Fernando Pessoa a Adolfo Casais
Monteiro )
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
até sábado, o 15º Correntes d`Escritas
https://www.facebook.com/photo.php?v=221441281395349&set=vb.217520445120766&type=2&theater
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
ALMEIDA GARRETT
EM LISBOA NESTE MESMO DIA mas em 1854 morre Almeida Garrett (55 anos). Foi escritor, dramaturgo, poeta e político.
João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett nasceu em 1799 no Porto, no seio de uma família burguesa, que se refugia em 1809 na ilha Terceira, a fim de escapar à segunda invasão francesa.
A vida de Garrett foi tão apaixonante quanto a sua obra. Revolucionário nos anos 20 e 30, distinguiu-se posteriormente sobretudo como o tipo perfeito do dândi, ou janota, tornando-se árbitro de elegâncias e príncipe dos salões mundanos. Foi um homem de muitos amores, uma espécie de homem fatal.
Da sua obra podemos destacar: ‘O Auto de Gil Vicente’ e ‘Viagens na minha terra’ obras obrigatórias no ensino Português.
Nas fotos: Passos Manuel, Almeida Garrett, Alexandre Herculano e José Estevão de Magalhães por Columbano Bordalo Pinheiro. Óleo sobre tela concluido em 1926. Fotografia de Laura Castro Caldas e Paulo Cintra." (à esquerda).
Litografia do escritor português Almeida Garrett – 1844, Biblioteca Nacional de Portugal, autor: Pedro Augusto Guglielmi. (à direita)
FONTE: https://www.facebook.com/LisboaStoryCentre
João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett nasceu em 1799 no Porto, no seio de uma família burguesa, que se refugia em 1809 na ilha Terceira, a fim de escapar à segunda invasão francesa.
A vida de Garrett foi tão apaixonante quanto a sua obra. Revolucionário nos anos 20 e 30, distinguiu-se posteriormente sobretudo como o tipo perfeito do dândi, ou janota, tornando-se árbitro de elegâncias e príncipe dos salões mundanos. Foi um homem de muitos amores, uma espécie de homem fatal.
Da sua obra podemos destacar: ‘O Auto de Gil Vicente’ e ‘Viagens na minha terra’ obras obrigatórias no ensino Português.
Nas fotos: Passos Manuel, Almeida Garrett, Alexandre Herculano e José Estevão de Magalhães por Columbano Bordalo Pinheiro. Óleo sobre tela concluido em 1926. Fotografia de Laura Castro Caldas e Paulo Cintra." (à esquerda).
Litografia do escritor português Almeida Garrett – 1844, Biblioteca Nacional de Portugal, autor: Pedro Augusto Guglielmi. (à direita)
FONTE: https://www.facebook.com/LisboaStoryCentre
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Prémio da APE a Maria Velho da Costa consagra uma obra que revolucionou a ficção portuguesa
Autora de Maina Mendes, Missa in Albis e Myra já
tinha recebido o prémio Camões em 2002 e é consensualmente reconhecida
como uma das mais inovadoras ficcionistas portuguesas.O prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (APE), no valor de 25 mil euros, foi atribuído esta segunda-feira à romancista Maria Velho da Costa. A decisão foi unânime e o presidente da APE, José Manuel Mendes, justificou a escolha sublinhando a “criatividade da escritora”, o seu “percurso pessoal e literário”, e ainda o modo inventivo como a autora, que já recebera em 2002 o prémio Camões, trabalha a língua portuguesa.
Nascida em Lisboa em 1938, Maria Velho da Costa estreou-se em 1966 com O Lugar Comum, é co-autora das célebres Novas Cartas Portuguesas (1972) e escreveu alguns dos mais significativos romances da ficção portuguesa posterior ao 25 de Abril, como Casas Pardas (1977), Missa in Albis (1988) ou o mais recente Myra
(2008), que venceu os prémios PEN, Máxima, Correntes d’Escrita e DST. A
sua obra, que vem sendo traduzida desde os anos 70 nas principais
línguas europeias, revolucionou como poucas o romance em língua
portuguesa.
Licenciada em Filologia Germânica pela Universidade de
Lisboa, Maria Velho da Costa tem ainda o Curso de Grupo-Análise da
Sociedade Portuguesa de Neurologia e Psiquiatria. Foi professora no
ensino secundário, funcionária do Instituto de Investigação Industrial,
adjunta do Secretário de Estado da Cultura em 1979, no breve governo de
Lurdes Pintasilgo, leitora de português no Kings College, Londres, na
década de 80, adida cultural em Cabo Verde de 1988 a 1991, e desempenhou
ainda várias outras funções públicas de carácter cultural,
designadamente na Comissão Nacional para as Comemorações dos
Descobrimentos Portugueses e no Instituto Camões. Entre 1973 e 1978,
presidiu à direcção da APE.Quando a romancista ganhou o prémio Camões, em 2002, o júri salientou, a par da “inovação no domínio da construção romanesca” e do “experimentalismo sobre a linguagem”, a “interrogação do poder fundador da fala”, uma indagação que é já central em Maina Mendes, cuja personagem principal é uma mulher que perdeu a sua reprimida fala feminina para, nas palavras de Eduardo Lourenço, “inventar a fala, nem masculina, nem feminina, apenas autónoma e soberana, de que os homens usufruem sem riscos e desde sempre, por ‘direito divino’”.
Ainda antes do 25 de Abril, Maria Velho da Costa publica o ensaio Ensino Primário e Ideologia(1972) e Desescrita (1973), uma recolha de crónicas de imprensa.
Em 1976, edita um livro de textos de difícil categorização, Cravo, e no ano seguinte publica o ensaio Português; Trabalhador; Doente Mental e aquele que é reconhecidamente um dos mais originais romances portugueses contemporâneos, Casas Pardas, um livro que evoca os tempos anteriores e imediatamente posteriores à revolução de 1974 através da voz de várias protagonistas, cujos testemunhos são apresentados num registo próximo do do monólogo dramático.
Seguem-se dois livros de poesia em prosa – Da Rosa Fixa (1978) e Corpo Verde (1979) – e, já nos anos 80, a autora publica dois títulos centrais na sua obra ficcional, Lúcialima (1983) e Missa in Albis. Este último, cujo título evoca a missa do segundo domingo de Páscoa, tradicionalmente ligada à admissão na igreja dos recém-baptizados, tem como protagonista uma mulher oriunda de uma influente família ligada ao regime do Estado Novo, Sara, em cujo trajecto talvez possa ver-se uma metáfora do país.
A apropriação de outros textos como desencadeadores da sua própria escrita é uma constante na obra de Velho da Costa, que mantém um diálogo particularmente recorrente e profundo com Luís de Camões. Neste mesmo Miss in Albis, uma célebre advertência do poeta é assim transformada: “Confundir é a regra que convém, segundo o entendimento que tiverdes”.
Entre as obras mais recentes de Maria Velho da Costa contam-se o volume de contos Dores (1994), a peça Madame (2000), sobre textos de Eça de Queirós e Machado de Assis, o romance Irene ou o Contrato Social (2001), vencedor do Grande Prémio da APE, que transforma em personagem a escritora Irene Lisboa, o livro de contos O Amante do Crato (2002), O Livro do Meio (2006), um diálogo com Armando Silva Carvalho, e o seu último e notável romance, Myra (2008).
O prémio Vida Literária foi atribuído pela primeira vez em 1992, a Miguel Torga, e conta, desde a sua criação, com o patrocínio exclusivo da Caixa Geral de Depósitos. Com periodicidade irregular, contemplou já os ficcionistas, poetas e ensaístas José Saramago, Sophia de Mello Breyner, Óscar Lopes, José Cardoso Pires, Eugénio de Andrade, Urbano Tavares Rodrigues, Mário Cesariny, Vítor Aguiar e Silva, Maria Helena Rocha Pereira e João Rui de Sousa. Maria Velho da Costa é a 12.ª premiada. A sua obra, diz José Manuel Mendes, "revela um poder de criatividade e inovação porventura incomparáveis".
"Camões é um culto"
Sendo mais um prémio a uma autora habituada a ver-se premiada desde os anos 70, quando o romance Casas Pardas obteve o prémio Cidade de Lisboa e o Prémio Nacional de Novelística, esta consagração da APE tem, ainda assim, um significado particular para Maria Velho da Costa, dada a sua “ligação muito antiga” à associação, disse a romancista ao PÚBLICO. Tendo presidido à direcção da APE ainda antes do 25 de Abril, e também depois da queda do regime, até 1978, a escritora lembra que foi sob a sua presidência que se organizou o primeiro Congresso de Escritores Portugueses, em Maio de 1975. “O vice-presidente era o Ernesto Melo e Castro, que fez um grande trabalho, e essa direcção incluía escritores que infelizmente já morreram, e que eram amigos meus, como Orlando da Costa ou José Saramago”.
O PÚBLICO quis saber se, à distância de quase 45 anos, não lhe parecia hoje estranho que aos trinta pudesse ter escrito um primeiro romance tão forte e tão inovador como Maina Mendes, mas o elogio em causa própria não faz o género de Maria Velho da Costa, que replica logo que “a Agustina começou mais cedo”, e que o que recorda da época em que escreveu o seu romance de estreia é que se sentia “muitíssimo insegura”. E adianta que muitos escritores a influenciaram, mas exclui Camões desse rol, porque “esse não é uma influência, é um culto”.
Aos leitores que ainda esperam que se tenha precipitado quando manifestou a convicção de que Myra seria o seu último romance, não oferece grandes esperanças: “É o que eu acho, mas pode-se sempre ter um acesso de demência senil e escrever-se o que não se deve”. Para já, garante que não está a escrever nenhum novo livro nem sente a tentação de o fazer. “Consigo não escrever com a maior das facilidades”.
Também não parece ter mudado de ideias na intenção de deixar os seus diários para publicação póstuma, mas não se mostra absolutamente peremptória: “É muito pouco provável que os publique em vida… teria que fazer uma tal triagem de materiais…”.
http://www.publico.pt/cultura/noticia/maria-velho-da-costa-vence-premio-vida-literaria-da-ape-1614707 http://www.publico.pt/cultura/noticia/maria-velho-da-costa-vence-premio-vida-literaria-da-ape-1614707
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Subscrever:
Mensagens (Atom)



