terça-feira, 22 de abril de 2014

Hoje é o DIA DA TERRA

 
Apesar de o Dia da Terra ter sido criado em 1970, apenas dois anos mais tarde é que decorreu em Estocolmo a primeira conferência internacional sobre o meio ambiente.
Em 2009, a ONU (Organização das Nações Unidas) decidiu reconhecer a importância da data e  instituiu o Dia da Mãe Terra, que é celebrado exatamente no dia 22 de abril.
Beija-Flor Google Doodle


Nesta terça-feira é, então, celebrado em todo o mundo o Dia da Terra 2014. A data é comemorada pelo Google através de um Doodle especial e animado que mostra desenhos de um beija-flor, de um escaravelho, de dois macacos japoneses, de um camaleão, de um peixe-balão e de uma medusa-da-lua. As imagens têm como objetivo lembrar a variedade de vida que existe no planeta e a necessidade de a preservar.
 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

HOJE É O DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL


Química na literatura infantil e juvenil 

 IN   http://dererummundi.blogspot.pt/


Para assinalar o dia internacional do livro infantil, partilho algumas ideias respigadas de um texto que estou a ultimar sobre a química na literatura infantil e juvenil

Máximo Gorki disse que se deve escrever para os jovens como se escreve para os adultos, só que melhor. Nesse ponto, o nosso Aquilino Ribeiro foi um mestre e estava, provavelmente, de acordo com Gorki. Quem leu o Romance da Raposa, incluindo o que Aquilino diz no final sobre a literatura infantil, percebe, com certeza, qual é a importância de haver bons livros para crianças e jovens que estimulem a inteligência e a imaginação criativa e não apenas divagações tontas. Livros que é preciso ler no original, com as palavras difíceis mas necessárias, com toda a violência e questões morais duras que possam existir (as quais, de resto, serão sempre menos más que as que nos trazem as imagens da televisão e dos jogos de video). Sobre isso não me vou alongar, basta lembrar Carmo Bravo-Villasante que chama a atenção para o facto de Collodi, no Pinóquio, ter feito mais pela pedagogia moral do que séculos de moralistas. E este último é mesmo um livro que é necessário ler no original. O meu filho mais novo deu boas gargalhadas com ele ao mesmo tempo que acompanhava os dramas, fracassos e aprendizagem do boneco de madeira, futuro menino de verdade. Todas as crianças deveriam poder fazer o mesmo. Também, para saberem que Pinóquio não foi comido por uma baleia mas sim por um tubarão!

Não vou escrever hoje sobre a química nos livros referidos acima, nem nos de Verne, Salgari, ou outros (para isso terão de esperar pela publicação do texto completo). Hoje ficarei apenas por um pequeno doce: Charlie e a fábrica de chocolate.

 
Roald Dahl escreveu Charlie e a fábrica de chocolate em 1964. Numa primeira impressão, o filme, que foi feito recentemente, segue, com a excepção de alguns pormenores pouco significativos, o texto do livro. Mas que prazer ler o livro mesmo assim (e estou a citar de novo o meu filho mais novo)!
Tratando o livro de uma fábrica de chocolate, poderíamos (mas não vamos fazê-lo) ficar pela química do chocolate (o que já não seria pouco). De facto, o chocolate, ou as preparações culinárias envolvendo o cacau, já foram considerados a bebida ou o alimento dos deuses. Os Umpa-lumpa, pequenos trabalhadores da fábrica de Willy Wonka, assim o consideram também.
 
O chocolate é um material sólido, ou melhor, uma dispersão sólida com aspecto de sólido mais ou menos homogéneo, que é, digamos sem rodeios, simplesmente delicioso! E o prazer começa com o facto de o seu ponto de fusão ser muito baixo e, por isso, se derreter já um pouco nos dedos, que é necessário lamber completa e sem medo (melhor se estiverem bem lavados), ou, o que é mesmo adequado, logo que o colocamos na boca, a cerca de 37ºC. As diferentes proporções de cacau e açúcar e outros constituintes, assim como a forma como são aglutinados, dão ao chocolate intervalos de fusão quase perfeitos para a nossa gulodice. Além disso, o chocolate tem teobromina, fenilalanina e muitos outros compostos que nos dão prazer (e a uns poucos infelizes causam alergias). Para além disso, é preciso dizer que o chocolate tem um cheiro inconfundível proveniente de um grande de número de compostos, que lhe dão esse odor característico que muitas crianças, numa altura em que os chocolates eram raros, procuravam manter vivo guardando em livros os papéis em que estes eram embrulhados.

Quase todos conhecem a história de Charlie. A sua família era tão pobre que só comiam sopa de couves uma vez por dia e, depois do pai ser despedido, só comiam meia batata por dia. E isso foi mesmo na altura que começava o inverno. Altura em que, como está escrito no livro, temos mais apetite e queremos comer coisas quentes. Aqui está um aspecto químico importante e com interesse pedagógico: a conservação de energia. Comemos para fornecer energia ao nosso corpo e nos aquecermos (se a temperatura exterior é mais baixa do que a do corpo). Se está muito frio precisamos de mais alimentos, de preferência já quentes. Os inuit precisam em média de seis mil calorias(quilocalorias, como bem sabemos) por dia enquanto, nas regiões temperadas, a média necessária é de duas mil calorias por dia. Charlie deslocava-se muito lentamente para a escola para não gastar energia e estava cada vez mais magro. Infelizmente a fome não atinge só Charlie. A fome existe e chega a cada vez a mais pessoas, enquanto outras, como as restantes crianças do livro, comem demasiado.
 
Outro aspecto interessante do livro são as pastilhas elásticas (de cuja química também não vou falar agora) de Violet. Esta mascava-as sem parar e, note-se bem, guardava a que estava a mascar colada na cama durante a noite. Esta pastilha ficava um pouco dura (como a que os alunos colam debaixo das mesas), mas depois, com uma voltas, fica outra vez bem. Aqui está um efeito interessante: a pastilha elástica como um material que amolece, ou seja cuja viscosidade varia, com a manipulação. Temos muitos exemplos desse comportamento de fluído não-Newtonino à nossa volta. Depois, a pastilha que Wonka está a desenvolver, a qual tem todos os sabores de uma refeição, recorda-nos um livro dos anos 1940 de Monteiro Lobato, A reforma da natureza, na qual Emília, uma boneca atrevida, propõe encontrar um químico que desenvolvesse um livro comestível com as mesmas propriedades dietéticas da pastilha de Wonka.
 
E já que se fala de investigação, é interessante recordar que a química, e os químicos, têm um papel muito importante no desenvolvimento de uma alimentação segura, adequada e agradável.
 
Termino com um exemplo do livro que combina investigação e desenvolvimento (I&D) com a conservação de energia. Willy Wonka teria inventado um gelado de chocolate que não fundia nem quando exposto uma manhã toda ao sol. Ora Charlie e o avô sabem que isso é impossível, sendo até completamente absurdo, mas o Sr. Wonka conseguiu! É muito pedagógica esta forma de introduzir os limites da ciência. Sabemos que é quase impossível, mas, quem sabe, o talento e os conhecimentos científicos de Wonka, ou de um químico, poderiam desenvolver um gelado que tivesse na sua composição um material (que não fosse tóxico, como o gelo seco), que ao fundir, ou melhor ainda, ao sublimar e abandonar o gelado, usasse tanta energia que ia mantendo o gelado de chocolate sólido toda a manhã...

sexta-feira, 28 de março de 2014

"Na formação e na vida, a televisão não substitui a leitura e o cinema"

Para ler na revista VISÃO desta semana, pág 12, crónica de José Luis Peixoto "Conta lá a história das bibliotecas itinerantes"

quinta-feira, 27 de março de 2014

HOJE É O DIA MUNDIAL DO TEATRO

 O actor acende a boca. Depois os cabelos.
Finge as suas caras nas poças interiores.
O actor pôe e tira a cabeça
de búfalo.
De veado.
De rinoceronte.
Põe flores nos cornos.
Ninguém ama tão desalmadamente
como o actor.
O actor acende os pés e as mãos.
Fala devagar.
Parece que se difunde aos bocados.
Bocado estrela.
Bocado janela para fora.
Outro bocado gruta para dentro.
O actor toma as coisas para deitar fogo
ao pequeno talento humano.
O actor estala como sal queimado.

O que rutila, o que arde destacadamente
na noite, é o actor, com
uma voz pura monotonamente batida
pela solidão universal.
O espantoso actor que tira e coloca
e retira
o adjectivo da coisa, a subtileza
da forma,
e precipita a verdade.
De um lado extrai a maçã com sua
divagação de maçã.
Fabrica peixes mergulhados na própria
labareda de peixes.
Porque o actor está como a maçã.
O actor é um peixe.

Sorri assim o actor contra a face de Deus.
Ornamenta Deus com simplicidades silvestres.
O actor que subtrai Deus de Deus, e
dá velocidade aos lugares aéreos.
Porque o actor é uma astronave que atravessa
a distância de Deus.
Embrulha. Desvela.
O actor diz uma palavra inaudível.
Reduz a humidade e o calor da terra
à confusão dessa palavra.
Recita o livro. Amplifica o livro.
O actor acende o livro.
Levita pelos campos como a dura água do dia.
O actor é tremendo.
Ninguém ama tão rebarbativamente como o actor.
Como a unidade do actor.

O actor é um advérbio que ramificou
de um substantivo.
E o substantivo retorna e gira,
e o actor é um adjectivo.
É um nome que provém ultimamente
do Nome.
Nome que se murmura em si, e agita,
e enlouquece.
O actor é o grande Nome cheio de holofotes.
O nome que cega.
Que sangra.
Que é o sangue.
Assim o actor levanta o corpo,
enche o corpo com melodia.
Corpo que treme de melodia.
Ninguém ama tão corporalmente como o actor.
Como o corpo do actor.

Porque o talento é transformação.
O actor transforma a própria acção
da transformação.
Solidifica-se. Gaseifica-se. Complica-se.
O actor cresce no seu acto.
Faz crescer o acto.
O actor actifica-se.
É enorme o actor com sua ossada de base,
com suas tantas janelas,
as ruas -
o actor com a emotiva publicidade.
Ninguém ama tão publicamente como o actor.
Como o secreto actor.

Em estado de graça. Em compacto
estado de pureza.
O actor ama em acção de estrela.
Acção de mímica.
O actor é um tenebroso recolhimento
de onde brota a pantomina.
O actor vê aparecer a manhã sobre a cama.
Vê a cobra entre as pernas.
O actor vê fulminantemente
como é puro.
Ninguém ama o teatro essencial como o actor.
Como a essência do amor do actor.
O teatro geral.

O actor em estado geral de graça.


Herberto Hélder

quarta-feira, 26 de março de 2014

Catarina Sobral vence prémio internacional de ilustração

Parabéns a Catarina Sobral, que esteve na nossa escola, na Semana da Leitura!

De entre 41 ilustradores de todo o mundo, a  portuguesa Catarina Sobral venceu oprémio internacional de ilustração, atribuído pela Feira do Livro Infantil de Bolonha (Itália), com o livro O meu avô, foi esta quarta-feira anunciado.

O prémio, no valor de 21 mil euros, é patrocinado pela editora Fundación SM e destina-se a jovens ilustradores que tenham sido seleccionados para a exposição anual de ilustração da Feira do Livro Infantil, que está a decorrer em Bolonha; é a mais importante feira de negócios do mercado livreiro de literatura para crianças e jovens  e termina na quinta-feira.
 
 Catarina Sobral, de 29 anos,  tinha sido seleccionada para a exposição deste ano com ilustrações originais do álbum ilustrado O meu avô, editado em Fevereiro pela Orfeu Negro.
A autora portuguesa, que   já publicou três livros para a infância e juventude, foi premiada entre 41 ilustradores de todo o mundo, com menos de 35 anos, que participaram na exposição.
O júri do prémio, que integrou Roger Mello (Brasil), Sophie Van der Linden (França) e Pablo Núñez (Espanha), elogiou na obra de Catarina Sobral "a referência à tradição gráfica dos anos 1950, com uma interpretação contemporânea, e a composição da imagem baseada em básicas figuras geométricas".
Além de O meu avô – que deverá ser editada em língua espanhola pela Fundacion SM – , Catarina  é autora dos livros Greve e Achimpa.



quinta-feira, 20 de março de 2014

BOA PRIMAVERA!

A MESMA CANÇÃO


A sensação que tens
é de que tudo
quanto dizes já o leste
noutros livros. Mas
depois consideras: também
o sol e os pássaros
repetem todos os dias
a mesma canção.
Albano Martins
In "As Escarpas do Dia"
(Poesia 1950-2010)

 

terça-feira, 18 de março de 2014

quinta-feira, 13 de março de 2014

Semana da leitura 4




 












"Eu achimpo, tu achimpas, nós achimpamos".



Em dois worshops sobre ilustração, com  Catarina Sobral, uma jovem e exímia trabalhadora do texto-imagem.

















"Eu achimpo, tu achimpas, nós achimpamos".