terça-feira, 13 de maio de 2014

Mimos que chegam até nós, surpresas que nos enternecem, dádivas que vamos guardar

Sabia que queria fazer algo que demonstrasse a pluralidade deste poeta. Assim, concebi o próprio Fernando Pessoa e três dos seus heterónimos a tentarem sair do seu imaginário (neste caso a cabeça), porque querem ser conhecidos por eles próprios (não estarem na sombra do poeta, querem ganhar vida). Como se sentem aprisionados, tal como o poeta os criou, construí uma cabeça em arame que faz lembrar uma cela, e é daí que tentam sair dois dos heterónimos - já que Alberto Caeiro se perdeu a contemplar o céu.

Materiais utilizados: arame (para moldar a cabeça do poeta), cimento (na base), biscuit ou porcelana fria (utilizada para moldar os bonecos), tintas e alguns materiais como os óculos e o chapéu.

maio de 2014
Francisca Ferreira, 12º D

quinta-feira, 8 de maio de 2014

MOSTRA ESCOLAR E PROFISSIONAL

Dias 8, 9 e 10, na ESJE.
No sentido de ajudar os alunos na realização de escolhas esclarecidas, os SPO do Agrupamento convidaram cerca de 30 instituições.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

COOLBOOKS quer revelar novos talentos e ser uma alternativa para a divulgação de autores portugueses.

Porto Editora lança chancela digital

«objectivo declarado é apostar em novos autores, aproveitando, designadamente, as “dezenas de originais que a Porto Editora recebe semanalmente”, alguns deles, (…), “com bastante qualidade”, mas cuja edição em papel seria arriscada.»
E ao mesmo tempo que o digital permite testar junto do público autores nos quais as chancelas tradicionais do grupo teriam hoje mais dificuldade em apostar (…)»

Esta primeira fornada de ebooks completa-se com três livros de contos (são os mais baratos, a 2,99 euros): dois volumes de histórias breves de horror, para público juvenil, da autoria de Rui Péricles (um jovem autor nascido em 1994), e Sudoeste, de Olinda P. Gil.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

abril não é só um mês...

passam hoje 40 anos sobre a Revolução de 25 de abril de 1974

A Salgueiro Maia 

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

Aquele que na hora da vitória
respeitou o vencido

Aquele que deu tudo e não pediu a paga

Aquele que na hora da ganância
Perdeu o apetite

Aquele que amou os outros e por isso
Não colaborou com a sua ignorância ou vício

Aquele que foi «Fiel à palavra dada à ideia tida»
como antes dele mas também por ele
Pessoa disse


 

CAPITÃO SALGUEIRO MAIA
(João de Melo , In JL, p. 8)

 
Preciso de o dizer e repetir baixinho, de lentamente o repetir dentro de mim, baixinho e em presença dos meus sentidos, a fim de que tudo deixe de ser apenas um sonho e se transforme pouco a pouco em realidade. Sei que devo entrar de madrugada na cidade adormecida, contornar rotundas e passar os cruzamentos que me levam para o centro, e pensar que tudo o que está a acontecer-me vai a caminho da verdade, sob o imperativo de quem ordena e exige que chegue a hora de o tempo e o sonho serem só isso – tempo e sonho de um país que se perdeu de si e da sua vontade. Os homens sob meu comando não são mais que sombras de si mesmos; a arma que empunham, um engenho fora de combate; os carros, uns modestos inventos nossos, brinquedos que todos, um dia, sonhámos – na memória daquelas guerras em que também eu fui um homem anterior, em tudo diferente de mim. O que sou agora é um exercício, uma parte experiente, um resumo do que outrora fui: o guerreiro tímido e assustado que no corpo traz o medo-sonho da missão noturna que os queridos companheiros me confiaram e que comigo discutiram e planearam com o secreto e devido pormenor. Tendo-me perguntado se queria livremente embarcar na noite temerária do golpe militar, eu de pronto lhes disse que sim, contassem comigo; para trabalhos, perigos e segredos em que nem eu neles acreditasse ou deles viesse a ter memória. Eles assim fizeram.
Vim à cidade para tomar a cidade. Visito ruas e casas para vigiar o sono, o silêncio, a tranquilidade das ruas e das casas. Ocuparei posições nos bairros antigos de Lisboa, cercando as ruas baixas que vão do Rossio ao movimento secreto dos barcos no rio; pelos vultos das sentinelas e pelos passos dos agentes duplos, irei até ao fundo da Grande Noite portuguesa que dura – disseram-me os mais velhos- há 48 anos soturnos, ao longo dos quais todos fomos sendo postos de parte, fora da vontade, da raiz, da moral e da história.
E mais me disseram os queridos companheiros que devia dispersar por ali os homens certos e os comandos por mim escolhidos, a cortar o trânsito das ruas e a vigiar os barcos que na altura vogassem no rio – com o que se poria a cidade suspensa, enchendo-se de boatos e vozes dos próprios remorsos, a um tempo tranquila e em estado de angústia. Mandarei apontar ao Tejo os dois formidáveis canhões da guarnição; guardarem as esquinas os meus soldados mais afoitos e experientes; e emboscarem-se, na sombra dos muros, os rostos lívidos e determinados. Os demais, por mim chamados e escolhidos, subirão comigo às zonas do perigo, onde se cumprirá uma única de todas as vontades em confronto.
É muito simples a minha ideia: cercar o quartel de guarda nacional, dar-lhe um ultimato para que se renda e me entregue as suas armas, e depois ficar ali a encher-me de paciência, fome, desconforto, sono e frio, atento ao que der e vier. Quando me meti nos trabalhos desta missão, jurei que nela iria até ao fim. Empenhei nisso a palavra e a vida. Sabia-me sujeito tanto a perder-me como a salvar-me – sendo-me claramente dito que podia tratar-se de uma viagem longa, louca e sem regresso, feita daquele alvoroço que antecede o definitivo e fatal esquecimento. O qual só dá passagem para onde a morte é escura e irreversível. Por isso me despedi da mulher e das filhas. Disposto a morrer por elas, eis-me contra isto, para melhor ser por isto. Faz sentido a gente morrer por algo que ame; eu fui sempre, do primeiro dia da infância até esta madrugada de 25 de Abril de 1974, preparado tanto para o amor como para a morte.
«Se preciso for» - sublinharam os queridos companheiros - ,«alinhas os carros de combate no Largo do Carmo, apontas os canhões aos portados e à fachada da fortificação, dás ordem de fogo aos teus, e que haja choro e ranger de dentes lá dentro – e gritos e braços erguidos, cá fora, nos vivas à liberdade; e vozes saídas da clandestinidade para berrarem bem alto que o povo unido jamais será vencido.»
Pode ser que eu morra varrido por uma rajada de metralhadora ou pela bala do atirador solitário que ficará para contar a história. Ainda assim, morrerei a meio do maior de todos os gestos da minha vida. Mas pode acontecer o contrário de tudo isso: vir um mar de povo, erguerem-se as vozes, encherem-se de flores os canos das espingardas e não ser preciso matar nem morrer, nem tomar de assalto a corte, nem dar voz de prisão ao rei e aos seus vassalos. Dizem que em missões como esta vem sempre alguém dizer que o rei vai nu e que o reino velho, se lhe dão os ventos da agonia, logo de seus fios e cerzidos se desprende.
Preveniram-me os queridos e honestos companheiros contra a loucura e o desespero da polícia política, sangrentos cães beligerantes do ditador. Eu sei que, para eles, defender o reino não é só uma questão de brio, mas uma ideia de grandeza proporcional à crueldade e à estupidez do todo-poderoso. Vim, na condição de oficial e cavalheiro, para dar voz de prisão aos ditadores, não para os julgar ou abater. Oficial e cavalheiro que sou, entrarei nos largos portões do Carmo, e a ninguém saudarei pelo caminho até estar certo de o fazer com a dignidade que passa do vencedor ao vencido. Quando chegar à presença do todo-poderoso, acederei a fazer-lhe uma pequena mesura, uma discreta vénia de cabeça, como se ainda pudesse confortá-lo com o olhar, antes de lhe exigir que se renda e se confie aos meus cuidados. Não que goste dele ou tenha pena da sua velhice, ou me mova qualquer piedade sobre as injustiças e os danos que ao povo causou – mas tratá-lo-ei sempre por Vossa Majestade ou por Vossa Excelência. Se me perguntar de onde venho e a quem devo obediência, qual a minha condição e como me chamo, responderei a Sua Excelência que venho de Santarém, às ordens do Movimento das Forças Armadas, tenho o posto de capitão e o meu nome é Salgueiro Maia.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

450 anos do nascimento de WILLIAM SHAKESPEARE (23 de abril de 1564 - 23 de abril de 1616)

Ah, aprende a ler o que o amor em silêncio escreveu:
Só com a pureza do amor podemos ver e compreender
. (soneto 23)
Foto: Happy 450th birthday William Shakespeare -- he was born in Stratford-upon-Avon, Warwickshire, England on this day in 1564!

"Time's glory is to calm contending kings,
To unmask falsehood, and bring truth to light."
--from "The Rape of Lucrece"
IN https://www.facebook.com/WilliamShakespeareAuthor

Shakespeare viveu cinquenta e dois anos.
Sabe-se que  nasceu em abril de 1564 e que morreu em 23 de abril de 1616. Foi batizado em 26 de abril 1564 e estudiosos acreditam agora que tenha nascido também em um dia 23 de abril. Portanto, morreu com cinquenta e dois anos, no Dia de São Jorge.
Durante sua vida, Shakespeare escreveu 37 peças e 154 sonetos. Isso significa uma média de 1,5 peça por ano, desde que começou a escrever, em 1589. Enquanto mantinha um ritmo regular de trabalho ligado o teatro, também conduzia sua vida familiar, social e de negócios, administrando uma companhia de atores e um teatro.
Para além de escrever inúmeras peças e sonetos, Shakespeare era também ator e atuou em muitas de suas próprias peças, assim como nas de outros dramaturgos. Shakespeare representou para a rainha Elizabeth I e, mais tarde, para James I, que era um patrono entusiasta do seu trabalho.


Hoje é o DIA MUNDIAL DO LIVRO E DOS DIREITOS DE AUTOR

"Pensar o livro. E amá-lo desde a sua materialidade ao mistério da criação a que nele poderás assistir…"
(Vergílio Ferreira)

"O leitor também escreve o livro quando lhe penetra o sentido, o interroga" (José Saramago)