sexta-feira, 27 de junho de 2014

Português é uma das línguas mais felizes

Os chineses são os que usam palavras menos felizes. Mas, no dia em que faz 800 anos, a língua portuguesa é considerada das mais felizes do Mundo.

Uma equipa de investigadores da Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, criou uma base de dados de línguas de todo o mundo e descobriu uma tendência para algumas palavras estarem associadas a uma atitude positiva.
Os profissionais do Laboratório Computacional da universidade selecionaram cem mil palavras de dez idiomas: inglês, espanhol, francês, português, coreano, chinês, russo, indonésio e árabe. Para cada língua, o grupo selecionou as dez mil palavras mais usadas. Depois, pediram aos nativos para avaliarem cada palavra numa escala de felicidade. A equipa de investigação recolheu cerca de cinco milhões de avaliações individuais e concluiu que as palavras são “os átomos da linguagem humana – apresentam um espectro emocional com uma inclinação positiva.”
Depois do estudo e da soma final, a conclusão: o espanhol está no topo da lista, seguido pelo português e pelo inglês. O grupo divulgou ainda um dado particular: a mesma palavra tem percentagens diferentes em alguns países. Por exemplo, numa escala de 1 (mais negativo) a 9 (mais positivo), os alemães dão 3,54 à palavra gift [presente]. Os ingleses, pelo contrário, atribuem a posição 7,72 à mesma palavra.
No fundo da lista está o chinês, que regista a menor inclinação para “palavras positivas”. Mas a relação entre as palavras e o bom ou mau-humor já não é nova. Em 1969, um grupo de psicólogos da Universidade de Illnois, nos Estados Unidos, estudou a forma como as pessoas em diferentes países usavam as palavras. A conclusão serviu de base para esta investigação: as pessoas tendem a usar mais palavras positivas do que negativas.
 

Português faz hoje 800 anos

Testamento real é o marco histórico

Porquê 27 de Junho? É que há precisamente 800 anos, no dia 27 de Junho de 1214, era assinado em Coimbra o Testamento do rei D. Afonso II - considerado o mais antigo documento oficial escrito em português.  

 IN http://www.sol.pt/SOL/noticia/109543
Para o deputado português José Ribeiro e Castro estas são razões mais do que suficientes para comemorar. “Queremos saudar uma das mais importantes línguas internacionais e contemporâneas em tempo de globalização. A língua portuguesa é ela própria uma ferramenta da globalização”, sublinha o deputado, que promoveu, em conjunto com o editor João Pinto, o 'Manifesto 2014 - 800 anos da língua portuguesa' - subscrito por mais de 50 personalidades da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). 
O texto do manifesto é proclamado hoje junto ao Padrão dos Descobrimentos, onde 800 crianças irão lançar 800 balões com desenhos de artistas plásticos dos oito países da CPLP. Embaixadores e representantes oficiais destes países juntam-se ao evento, que terá momentos de dança e declamação de poesia. À noite, no Martim Moniz, serão lançados outros 244 balões luminosos, símbolo dos 244 milhões de falantes de português em todo o mundo. 
Macau também vai celebrar: hoje de manhã, serão lançados balões a partir da Escola Portuguesa.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

PESSOA visto POR SARAMAGO que nos deixou há 4 anos


ao fundo brilha tenuemente a chapazinha do número duzentos e um, é então que Ricardo Reis repara que por baixo da sua porta passa uma réstia luminosa, ter-se-ia esquecido, enfim, são coisas que podem acontecer a qualquer, meteu a chave na fechadura, abriu, sentado na sofá estava um homem, reconheceu-o imediatamente apesar de não o ver há tantos anos, e não pensou que fosse acontecimento irregular estar ali à sua espera Fernando Pessoa, disse Olá, embora duvidasse de que ele lhe responderia, nem sempre o absurdo respeita a lógica, mas o caso é que respondeu, disse Viva, e estendeu-lhe a mão, depois abraçaram-se, Então como tem passado, um deles fez a pergunta, ou ambos, não importa averiguar, considerando a insignificância da frase. Ricardo Reis despiu a gabardina, pousou o chapéu, arrumou cuidadosamente a guarda-chuva no lavatório, se ainda pingasse lá estaria o oleado do chão, mesmo assim certificou-se primeiro, apalpou a seda húmida, já não escorre, durante todo o caminho de regresso não chovera. Puxou uma cadeira e sentou-se defronte do visitante, reparou que Fernando Pessoa estava em corpo bem feito, que é a maneira portuguesa de dizer que o dito corpo não veste sobretudo nem gabardina nem qualquer outra protecção contra o mau tempo, nem sequer um chapéu para a cabeça, este tem só o fato preto, jaquetão, colete e calça, camisa branca, preta também a gravata, e o sapato, e a meia, como se apresentaria quem estivesse de luto ou tivesse por ofício enterrar os outros. Olham-se ambos com simpatia, vê-se que estão contentes por se terem reencontrado depois da longa ausência, e é Fernando Pessoa quem primeiro fala, Soube que me foi visitar, eu não estava, mas disseram-me quando cheguei, e Ricardo Reis respondeu assim, Pensei que estivesse, pensei que nunca de lá saísse, Por enquanto saio, ainda tenho uns oito meses para circular à vontade, explicou Fernando Pessoa,

José Saramago, O Ano da Morte de Ricardo Reis

sábado, 14 de junho de 2014

Porque se aproxima o verão... tempo de boas leituras


QUE FIZESTE DAS PALAVRAS?

Que fizeste das palavras?
Que contas darás tu dessas vogais
de um azul tão apaziguado?

E das consoantes, que lhes dirás,
ardendo entre o fulgor
das laranjas e o sol dos cavalos?

Que lhes dirás, quando
te perguntarem pelas minúsculas
sementes que te confiaram? 
 
EUGÉNIO DE ANDRADE 
In Matéria Solar

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Em dia de Santo António, Fernando Pessoa

SANTO ANTÓNIO

Nasci exactamente no teu dia —
Treze de Junho, quente de alegria,
Citadino, bucólico e humano,
Onde até esses cravos de papel
Que têm uma bandeira em pé quebrado
Sabem rir…
Santo dia profano
Cuja luz sabe a mel
Sobre o chão de bom vinho derramado!

Santo António, és portanto
O meu santo,
Se bem que nunca me pegasses
Teu franciscano sentir,
Católico, apostólico e romano.

(Reflecti.
Os cravos de papel creio que são
Mais propriamente, aqui,
Do dia de S. João…
Mas não vou escangalhar o que escrevi.
Que tem um poeta com a precisão?)

Adiante… Ia eu dizendo, Santo António,
Que tu és o meu santo sem o ser.
Por isso o és a valer,
Que é essa a santidade boa,
A que fugiu deveras ao demónio.
És o santo das raparigas,
És o santo de Lisboa,
És o santo do povo.
Tens uma auréola de cantigas,
E então
Quanto ao teu coração —
Está sempre aberto lá o vinho novo.

Dizem que foste um pregador insigne,
Um austero, mas de alma ardente e ansiosa,
Etcetera…
Mas qual de nós vai tomar isso à letra?
Que de hoje em diante quem o diz se digne
Deixar de dizer isso ou qualquer outra cousa.

Qual santo! Olham a árvore a olho nu
E não a vêem, de olhar só os ramos
Chama-se a isto ser doutor
Ou investigador.
Qual Santo António! Tu és tu.
Tu és tu como nós te figuramos.

Valem mais que os sermões que deveras pregaste
As bilhas que talvez não consertaste.
Mais que a tua longínqua santidade
Que até já o diabo perdoou,
Mais que o que houvesse, se houve, de verdade
No que — aos peixes ou não — a tua voz pregou,
Vale este sol das gerações antigas
Que acorda em nós ainda as semelhanças
Com quando a vida era só vida e instinto,
As cantigas,
Os rapazes e as raparigas,
As danças
E o vinho tinto.

Nós somos todos quem nos faz a história.
Nós somos todos quem nos quer o povo.
O verdadeiro título de glória,
Que nada em nossa vida dá ou traz,
É haver sido tais quando aqui andámos,
Bons, justos, naturais em singeleza,
Que os descendentes dos que nós amámos
Nos promovem a outros, como faz
Com a imaginação que há na certeza,
O amante a quem ama,
E faz um velho amante sempre novo.
Assim o povo fez contigo
Nunca foi teu devoto; é teu amigo,
Ó eterno rapaz.

(Qual santo nem santeza!
Deita-te noutra cama!)
Santos, bem santos, nunca têm beleza.
Deus fez de ti um santo ou foi o Papa?...
Tira lá essa capa!
Deus fez-te santo? O Diabo, que é mais rico
Em fantasia, promoveu-te a manjerico.

És o que és para nós. O que tu foste
Em tua vida real, por mal ou bem,
Que coisas ou não-coisas se te devem
Com isso a estéril multidão arroste
Na nora de erros duns burros que puxam, quando escrevem,
Essa prolixa nulidade, a que se chama história
Quem foste tu ou foi alguém,
Só Deus o sabe, e mais ninguém.

És pois quem nós queremos, és tal qual
O teu retrato, como está aqui,
Neste bilhete postal.
E parece-me até que já te vi.

És este, e este és tu, e o povo é teu —
O povo que não sabe onde é o céu,
E nesta hora em que vai alta a lua
Num plácido e legítimo recorte,
Atira risos naturais à morte,
E, cheio de um prazer que mal é seu,
Em canteiros que andam enche a rua.

Sê sempre assim, nosso pagão encanto,
Sê sempre assim!
Deixa lá Roma entregue à intriga e ao latim,
Esquece a doutrina e os sermões.
De mal, nem tu nem nós merecíamos tanto.

Foste Fernando de Bulhões,
Foste Frei António —
Isso sim.
Por que demónio
É que foram pregar contigo em santo?

Fernando Pessoa, 9 - 6 - 1935

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005


IN  "O Meu Pessoa" https://www.facebook.com/omeupessoa?hc_location=timeline

FERNANDO PESSOA -13 de junho de 1888



Destinado a ser Joaquim, como o foram o seu pai e o seu avô paterno, o bebé nascido há 126 anos viria a chegar ao mundo naquele que era o Dia de Santo António, 13 de Junho. Por isso, o Joaquim deu lugar a Fernando (como o santo, de Bulhões).... Talvez também por isso, depois de uma vida a conviver com a Lisboa dos Santos Populares - e, entre eles, o "seu" António - Fernando Pessoa deu, no seu último ano de vida, um passo inesperado. Quase febrilmente, escreveu centenas de "quadras ao gosto popular", onde a simplicidade das rimas se junta à sua poética genial. As "quadras" de Fernando Pessoa estão, hoje em dia, disponíveis nas mais diversas edições e formatos livreiros, mostrando-nos um poeta mais próximo do povo, sem perder a sua tão característica complexidade temática. Vamos partilhar, ao longo do dia, vários exemplos. IN "O Meu Pessoa" 
https://www.facebook.com/omeupessoa?hc_location=timeline
 

quinta-feira, 12 de junho de 2014

A «Matemática dos Nossos Avós»

A «Matemática dos Nossos Avós»

As tradicionais rendas, os bordados, a cestaria, a calçada portuguesa, encerram uma geometria que está agora a ser alvo de uma recolha sistemática. A iniciativa, «Matemática dos Nossos Avós» inserida no Ano Internacional da Matemática do Planeta Terra, pretende também identificar unidades de medida em desuso e recolher textos em forma de provérbio, adivinha ou lengalenga.

Ana Clara; Fotos: IELT | domingo, 10 de Fevereiro de 2013 IN 

«A Matemática dos Nossos Avós» consiste em desvendar a geometria subjacente a algumas expressões da nossa cultura tradicional. Falamos de peças em cestaria, de trabalhos em rendas, de bordados, decorações de casas ou até mesmo da tradicional calçada portuguesa. Um trabalho que abrange igualmente a matemática da construção tradicional de casas, pontes, ferramentas ou embarcações portuguesas.

 A iniciativa, uma parceria entre o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra e o Instituto de Estudos de Literatura Tradicional (IELT) da Universidade Nova de Lisboa, pretende recolher materiais em forma de texto, áudio ou vídeo, promovendo ao mesmo tempo concursos, colóquios e debates sobre o tema, como explica ao Café Portugal Carlota Simões, coordenadora nacional do Ano da Matemática do Planeta Terra.

«A Matemática dos Nossos Avós» pretende ainda identificar unidades de medida já em desuso, adianta a investigadora, sem especificar, no entanto, algumas medidas, tendo em conta que o projecto arrancou há pouco tempo.

«Esta recuperação é um dos objectivos que temos em mente. Haverá decerto medidas antigas ditas “oficiais” mas é possível que existam medidas regionais que podem ser desconhecidas mesmo por investigadores e que urge estudar», sublinha.

Outra das temáticas é a recolha de textos em forma de provérbio, adivinha ou lengalenga que estejam «relacionados com formas de contar ou medir», tudo, esclarece a responsável com o objectivo de «recolher esse património cultural antes que seja esquecido».

Carlota Simões realça que outra das grandes prioridades deste projecto passa por recolher o material e «torná-lo público, ficando permanentemente online nos sites do Museu da Ciência e do IELT».

«É fundamental criar redes de contactos e trocas de informação entre pessoas e instituições que trabalham na mesma área», sublinha a investigadora.

Já toda a investigação em suporte áudio e vídeo ficará no site Memória Media.

Recorde-se que desde 2009, o Museu da Ciência e o IELT vêm desenvolvendo projectos de recolha de conhecimento dito tradicional no âmbito do Ano Internacional da Astronomia (2009), com a iniciativa «O Céu dos Nossos Avós»; do Ano Internacional da Biodiversidade (2010) com o tema «Os Bichos; do Ano da Química com o projecto «Sopas, Caldos e Mezinhas», e que se prolongou até 2012; e em 2013 o Ano da Matemática do Planeta Terra, com «A matemática dos nossos avós».

Carlota Simões lembra que a estes projectos podem associar-se instituições, «que podem participar de diversas formas: recolhendo materiais em forma de texto, áudio ou vídeo, promovendo concursos, colóquios e debates».

E acrescenta: «instituições como universidades seniores, lares, centros de dia podem ser fundamentais na recolha de materiais, mas também escolas, promovendo o diálogo entre gerações.

No início de cada ano nunca conseguimos prever o impacto que terá o projecto, pois tal depende também das instituições parceiras, mas para este ano que agora começa, temos a vantagem de começar o ano com a publicação de um livro de recolhas de textos com alguma relação com a matemática», referindo-se à obra «Contas X Contos X Cantos e que +», da autoria de Ana Paula Guimarães e Adérito Araújo.

Casa de Anne Frank abre portas na net

Museu do anexo onde a jovem judia se escondeu durante a II Guerra Mundial lançou uma visita virtual aos espaços encobertos em que viveu com a família. Veja o vídeo.
A casa onde Anne Frank viveu durante a II Guerra Mundial vai deixar de ser visitável apenas fisicamente. O museu Anne Frank, com 50 anos de existência e um milhão de visitantes por ano, vai disponibilizar, no website oficial, um "tour" virtual do anexo onde a jovem judia se escondeu das forças Nazis com a família e amigos durante dois anos, entre 1942 e 1944.

 https://www.youtube.com/watch?v=GTpXf5Np3Pw


"Por várias razões, nem todos conseguem visitar o anexo, quer seja devido a limitações físicas, quer por viverem muito longe. E devido ao espaço reduzido, apenas uma pequena fracção do espólio pode ser exposta no museu", pode ler-se na página oficial do Museu Anne Frank, que explica assim a decisão de criar a visita virtual.
O tour virtual apresenta detalhadamente items como as fotografias nas paredes, o padrão da roupa de cama e a cozinha apertada onde as oito pessoas viveram diariamente, sempre com medo de serem descobertas. Para além da mostra virtual do espaço físico, o plano avançado pelo Museu Anne Frank inclui ainda uma base de dados do espólio e uma "Linha de Tempo".
Anne Frank nasceu em 1929 em Frankfurt am Main, Alemanha, tendo posteriormente mudado para Amsterdão, Holanda. Em 1942, devido à chamada da irmã mais velha de Anne, Margot, para um campo de concentração, a família Frank escondeu-se num anexo atrás dos escritórios onde Otto, o pai, trabalhava. A eles juntaram-se Fritz Pfeffer e a família Van Pels. 


Fonte: 
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Tecnologia/Interior.aspx?content_id=1555332