segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Estudar é muito, mas pensar é tudo

assim abrimos mais um ano letivo: 

“Estudar não é só ler nos livros que há nas escolas.
É também aprender a sermos livres, sem ideias tolas.
Ler um livro é muito importante, às vezes, urgente.
Mas os livros não são o bastante para a gente ser gente.
É preciso aprender a escrever,
mas também a viver, mas também a sonhar.
É preciso aprender a crescer, aprender a estudar.
(…)
Estudar é muito, mas pensar é tudo.”


(José Carlos Ary dos Santos)

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Bom regresso à nossa/vossa escola

“Janeiro 12
«O que eu quero principalmente é que vivam felizes».
Não lhes disse talvez estas palavras, mas foi isto o que eu quis dizer. No sumário, pus assim: «Conversa amena com os rapazes». E pedi, mais que tudo, uma coisa que eu costumo pedir aos meus alunos: lealdade. Lealdade para comigo, e lealdade de cada um para cada outro. Lealdade que não se limita a não enganar o professor ou o companheiro: lealdade activa, que nos leva, por exemplo, a contar abertamente os nossos pontos fracos ou a rir só quando temos vontade (e então rir mesmo, porque não é lealdade deixar então de rir) ou a não ajudar falsamente o companheiro.
«Não sou, junto de vós, mais do que um camarada um bocadinho mais velho. Sei coisas que vocês não sabem, do mesmo modo que vocês sabem coisas que eu não sei ou já esqueci. Estou aqui para ensinar umas e aprender outras. Ensinar, não: falar delas. Aqui e no pátio e na rua e no vapor e no comboio e no jardim e onde quer que nos encontremos».
Não acabei sem lhes fazer notar que «a aula é nossa». Que a todos cabe o direito de falar, desde que fale um de cada vez e não corte a palavra ao que está com ela.”
Sebastião da Gama, Diário

quarta-feira, 9 de julho de 2014

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Português é uma das línguas mais felizes

Os chineses são os que usam palavras menos felizes. Mas, no dia em que faz 800 anos, a língua portuguesa é considerada das mais felizes do Mundo.

Uma equipa de investigadores da Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, criou uma base de dados de línguas de todo o mundo e descobriu uma tendência para algumas palavras estarem associadas a uma atitude positiva.
Os profissionais do Laboratório Computacional da universidade selecionaram cem mil palavras de dez idiomas: inglês, espanhol, francês, português, coreano, chinês, russo, indonésio e árabe. Para cada língua, o grupo selecionou as dez mil palavras mais usadas. Depois, pediram aos nativos para avaliarem cada palavra numa escala de felicidade. A equipa de investigação recolheu cerca de cinco milhões de avaliações individuais e concluiu que as palavras são “os átomos da linguagem humana – apresentam um espectro emocional com uma inclinação positiva.”
Depois do estudo e da soma final, a conclusão: o espanhol está no topo da lista, seguido pelo português e pelo inglês. O grupo divulgou ainda um dado particular: a mesma palavra tem percentagens diferentes em alguns países. Por exemplo, numa escala de 1 (mais negativo) a 9 (mais positivo), os alemães dão 3,54 à palavra gift [presente]. Os ingleses, pelo contrário, atribuem a posição 7,72 à mesma palavra.
No fundo da lista está o chinês, que regista a menor inclinação para “palavras positivas”. Mas a relação entre as palavras e o bom ou mau-humor já não é nova. Em 1969, um grupo de psicólogos da Universidade de Illnois, nos Estados Unidos, estudou a forma como as pessoas em diferentes países usavam as palavras. A conclusão serviu de base para esta investigação: as pessoas tendem a usar mais palavras positivas do que negativas.
 

Português faz hoje 800 anos

Testamento real é o marco histórico

Porquê 27 de Junho? É que há precisamente 800 anos, no dia 27 de Junho de 1214, era assinado em Coimbra o Testamento do rei D. Afonso II - considerado o mais antigo documento oficial escrito em português.  

 IN http://www.sol.pt/SOL/noticia/109543
Para o deputado português José Ribeiro e Castro estas são razões mais do que suficientes para comemorar. “Queremos saudar uma das mais importantes línguas internacionais e contemporâneas em tempo de globalização. A língua portuguesa é ela própria uma ferramenta da globalização”, sublinha o deputado, que promoveu, em conjunto com o editor João Pinto, o 'Manifesto 2014 - 800 anos da língua portuguesa' - subscrito por mais de 50 personalidades da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). 
O texto do manifesto é proclamado hoje junto ao Padrão dos Descobrimentos, onde 800 crianças irão lançar 800 balões com desenhos de artistas plásticos dos oito países da CPLP. Embaixadores e representantes oficiais destes países juntam-se ao evento, que terá momentos de dança e declamação de poesia. À noite, no Martim Moniz, serão lançados outros 244 balões luminosos, símbolo dos 244 milhões de falantes de português em todo o mundo. 
Macau também vai celebrar: hoje de manhã, serão lançados balões a partir da Escola Portuguesa.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

PESSOA visto POR SARAMAGO que nos deixou há 4 anos


ao fundo brilha tenuemente a chapazinha do número duzentos e um, é então que Ricardo Reis repara que por baixo da sua porta passa uma réstia luminosa, ter-se-ia esquecido, enfim, são coisas que podem acontecer a qualquer, meteu a chave na fechadura, abriu, sentado na sofá estava um homem, reconheceu-o imediatamente apesar de não o ver há tantos anos, e não pensou que fosse acontecimento irregular estar ali à sua espera Fernando Pessoa, disse Olá, embora duvidasse de que ele lhe responderia, nem sempre o absurdo respeita a lógica, mas o caso é que respondeu, disse Viva, e estendeu-lhe a mão, depois abraçaram-se, Então como tem passado, um deles fez a pergunta, ou ambos, não importa averiguar, considerando a insignificância da frase. Ricardo Reis despiu a gabardina, pousou o chapéu, arrumou cuidadosamente a guarda-chuva no lavatório, se ainda pingasse lá estaria o oleado do chão, mesmo assim certificou-se primeiro, apalpou a seda húmida, já não escorre, durante todo o caminho de regresso não chovera. Puxou uma cadeira e sentou-se defronte do visitante, reparou que Fernando Pessoa estava em corpo bem feito, que é a maneira portuguesa de dizer que o dito corpo não veste sobretudo nem gabardina nem qualquer outra protecção contra o mau tempo, nem sequer um chapéu para a cabeça, este tem só o fato preto, jaquetão, colete e calça, camisa branca, preta também a gravata, e o sapato, e a meia, como se apresentaria quem estivesse de luto ou tivesse por ofício enterrar os outros. Olham-se ambos com simpatia, vê-se que estão contentes por se terem reencontrado depois da longa ausência, e é Fernando Pessoa quem primeiro fala, Soube que me foi visitar, eu não estava, mas disseram-me quando cheguei, e Ricardo Reis respondeu assim, Pensei que estivesse, pensei que nunca de lá saísse, Por enquanto saio, ainda tenho uns oito meses para circular à vontade, explicou Fernando Pessoa,

José Saramago, O Ano da Morte de Ricardo Reis

sábado, 14 de junho de 2014

Porque se aproxima o verão... tempo de boas leituras


QUE FIZESTE DAS PALAVRAS?

Que fizeste das palavras?
Que contas darás tu dessas vogais
de um azul tão apaziguado?

E das consoantes, que lhes dirás,
ardendo entre o fulgor
das laranjas e o sol dos cavalos?

Que lhes dirás, quando
te perguntarem pelas minúsculas
sementes que te confiaram? 
 
EUGÉNIO DE ANDRADE 
In Matéria Solar