terça-feira, 7 de outubro de 2014

"O Organista", novo conto de Lídia Jorge, apresentado no "Escritaria" 2014 , em Penafiel

Como a própria definição o diz, o vazio é um lugar onde não existe nada mas no interior do qual se espera que venha a acontecer tudo. Não admira, pois, que o vazio, cansado da monotonia abissal de não possuir coisa alguma dentro de si, um dia tenha chamado o órgão. E o órgão veio, com seus quatro mil tubos de metal e as suas quatro fileiras de teclas, e ficou a dançar no vazio, oscilando de um lado para o outro.

Só que o órgão e o vazio eram duas coisas distintas, uma dentro da outra, e as duas não produziam nada. Então, o órgão e o vazio juntaram-se  e chamaram (...)

fragmento de " O Organista"

São "nerds dos cogumelos" e criaram protótipo para produção optimizada

Produzir quatro vezes mais cogumelos gastando menos 20%. Óscar Pinto e Simão Morgado vão apresentar em breve os primeiros produtos de um projecto que quer, no futuro, conquistar os mercados gourmet e medicinal, que juntos representam um negócio anual de três mil milhões de euros
Texto de Mariana Correia Pinto • 03/10/2014

Confessam-se "nerds dos cogumelos" e foi o fascínio (e o "apetite insaciável") por este fungo que os trouxe até aqui. Óscar Pinto e Simão Morgado, micro-biólogos de 31 anos, estão a desenvolver um projecto que quer aliciar os produtores de cogumelos com uma pergunta: e se fosse possível aumentar a produção até quatro vezes diminuindo os custos até 20%? O Melus deve acabar o primeiro protótipo de um dos seus produtos já em Novembro e com ele começar a cumprir um desejo antigo: "Democratizar a produção de cogumelos e torná-la mais acessível."
  
A ideia de "acrescentar valor ao cogumelo" é antiga. Óscar lembra-se de ser ainda um "amador" no assunto — antes de entrar na Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica — e já se interessar pela matéria. Quando sentiu que o número de projectos e a curiosidade à volta deste alimento (com propriedades medicinais) estava a aumentar, decidiu que era altura de fazer alguma coisa. Com o colega de curso Simão Morgado (e outro parceiro, que entretanto abandonou o projecto) começou a desenhar o Melus: "Queremos desenvolver o mercado português não só em termos de consumo mas também em termos de produção", explicou Óscar Pinto.
  
Oportunidade de negócio: há uma "falta de conhecimento técnico" e "ausência de programas de melhoramento genético de cogumelos em Portugal", identificaram os dois jovens, que durante seis meses participaram com mais 16 finalistas na terceira edição do Programa de Aceleração de Startups do Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC).

"Os métodos de produção que os novos produtores utilizam são tradicionais, com pouca produtividade quando comparados com métodos mais modernos", explicaram ao P3. Exemplo prático: "O que está agora em voga são os cogumelos shiitake ("Lentinula edodes"). Como são, normalmente, produzidos em tronco, têm uma eficiência biológica [capacidade que o fungo tem de transformar a matéria em cogumelo] de 20%. O que estamos a tentar é que essa eficiência seja de 80%."
  
Solução amiga do ambiente
Já em Novembro, na Feira Internacional de Lisboa, Óscar e Simão contam apresentar o primeiro protótipo de um dos produtos que vão disponibilizar: um fardo de produção de cogumelos de 20 kg, que é uma espécie de "tronco artificial de produção". Esta solução — que está agora em fase de teste com dois produtores e parcerias com organizações produtoras e associações de desenvolvimento rural — não só é mais produtiva como é "melhor em termos ambientais": "Enquanto o cultivo em troncos requer o abate de árvores, o nosso produto pode usar resíduos agrícolas e florestais para produzir ainda mais cogumelos do que o tronco originalmente produzia."
  
Pequena aula de Biologia: "Os cogumelos estão dentro do reino dos fungos, dentro desse reino há diferentes espécies que têm diferentes estirpes", explica Óscar Pinto para acrescentar: "Nós tentamos potenciar a genética dessas estirpes através da formulação do substracto onde elas crescem. Por outro lado temos o intuito de desenvolver em termos laboratoriais estirpes mais produtivas ou que tenham uma característica x, y ou z."
  
Os micro-biólogos querem fazer dos produtores os "clientes principais" ("não estamos a pensar, pelo menos para já, vender o cogumelo em si"). "O que nós vendemos são meios de produção e estirpes optimizadas", diz Simão Morgado, acrescentando que a consultoria, formação e apoio à produção e melhoria do desempenho fazem também parte dos planos. As soluções que a Melus vai apresentar vão permitir "entrar nos mercados do gourmet e medicinal", ramo que "representa neste momento um negócio anual de três mil milhões de euros", revelaram esta semana no auditório da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), durante o Startup Pitch Day da UPTEC, que acabou por eleger como vencedora a empresa de serviços de teste de "software" Crowbar

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Lemos na imprensa


53,6 milhões  - Valor que o Ministério da Educação paga em refeições escolares no ano de2014


3 milhões - Número de idosos que irão existir em Portugal em 2060, quase mais um milhão do que atualmente


IN "Visão" nº 1126, de 2 a 6 de outubro de 2014





quarta-feira, 1 de outubro de 2014

HOJE É O DIA MUNDIAL DA MÚSICA

O primeiro dia de outubro é oficialmente o Dia Mundial da Música.
O Dia Mundial da Música foi instituído em 1975 pelo International Music Council, uma organização não-governamental fundada em 1948 sob o patrocínio da UNESCO. Pretendia-se, assim, promover os valores da paz e da amizade por intermédio da música.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Dennis Kimetto 'voa' em Berlim e bate recorde mundial da maratona

Dennis Kimetto bate recorde do mundo da maratona em Berlim

Queniano faz a média de 2h02m57s, baixa em 26 segundos o recorde anterior e é o primeiro homem a correr uma maratona em menos de 2h03m.

Nova exposição de Paula Rego inspirada por Eça de Queirós

Exposição "O Último Rei de Portugal" estará aberta de 01 a 25 de outubro na galeria Marlborough Fine Art, em Londres

Paula Rego pretende desenhar todos os livros de Eça de Queirós, o seu escritor português favorito, disse a pintora portuguesa a propósito de uma exposição em Londres de telas inspiradas no livro "A Relíquia".
Depois de ter criado uma série de quadros com base em "O Crime do Padre Amaro", em 1997-98, a artista adiantou à agência Lusa estar já a trabalhar com base no romance "O Primo Basílio".
"Espero desenhar os livros todos do Eça. A minha neta Grace é perfeita para [modelo] Luisinha", garantiu, nomeando a protagonista loira e de pele branca de "A Relíquia".
Por Agência Lusa

Siza Vieira vence prémio Fritz Hoger


Para o Museu Hombroich, na Alemanha, o tijolo foi o material de eleição de Siza

O arquitecto Álvaro Siza Vieira foi distinguido com o prémio máximo do Fritz Hoger Awards 2014 por excelência em arquitectura construída com tijolos, com o seu projecto do Museu Hombroich, na Alemanha.
A informação, divulgada hoje em sites de arquitetura, foi confirmada à agência Lusa por fonte do gabinete de Siza Vieira, que acrescentou ter tido conhecimento deste prémio na quarta-feira.
De acordo com a informação disponibilizada na Internet, foram submetidos a concurso mais de 500 trabalhos, de 70 candidatos, uma verdadeira amostra "transversal de arquitetura internacional".
O imóvel construído sob projecto do arquitecto, que foi prémio Pritzker em 1992, fica em Raketenstation, Hombroich, Neuss, na Alemanha, e tem as paredes revestidas com o mesmo tipo de tijolo dos edifícios existentes na fundação Hombroich.
Na sua declaração, o júri referiu que este pavilhão de Siza "exemplifica o uso soberano do tijolo na sua forma simples" no meio da paisagem alemã onde está inserido.
Foram ainda distinguidos projectos nas categorias ouro, prata e menção especial. Os Fritz Hoger Awards, que são atribuído de três em três anos, vão na terceira edição.
http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/siza-vieira-vence-premio-fritz-hoger-1670879#/0

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Mafalda, a "heroína zangada", celebra 50 anos

Contestatária, refilona, rebelde, incisiva, pessimista, continua atual. 

Mafalda, a personagem de banda desenhada criada pelo argentino Quino (Salvador Lavado Tejón), celebra 50 anos, desde que apareceu no jornal "Primera Plana". 



Em Portugal, a data é assinalada com uma nova edição cartonada de todas as tiras humorísticas, a qual terá uma capa inédita e ainda uma série de artigos e informação que completam a leitura.

Eis uma das perguntas irreverentes da Mafalda:
“Não seria maravilhoso o mundo se as bibliotecas fossem mais importantes que os bancos?”



sábado, 27 de setembro de 2014

O princípio da ignorância

Não sabendo, como posso vir a saber? Não conhecendo, de que modo posso ter acesso ao conhecimento? O princípio da ignorância é um impulsionador pragmático

Interrogado sobre um tema, por mais especializado que este seja, um político profissional em regra nunca admitirá que não sabe a resposta, acabando por emitir a mais banal, obtusa e desapropriada opinião. O mesmo acontece com os comentadores profissionais dos media que, na posse de um menu de informações generalistas e numa atitude que pretende ultrapassar o nível rasteiro da opinião, assumem, mais pela atitude corporal ou pela ensaiada colocação de voz, a pretensão de um saber definitivo – e redundante, em particular quando se trata de previsões.
Passarão poucas horas até que dos referidos saberes futurologistas ninguém se lembre mais; porém, o facto de terem sido apresentados com a pose devida permitirá que quem o fez continue pronunciando-se com uma sapiência abrangente de tudo sobre o nada.
Até com professores isto sucede. Raramente admitem não terem para dar uma resposta adequada, contextualizada, precisa à pergunta inesperada do estudante. Esta atitude não é específica deste tempo, embora alguns dos seus aspectos o sejam: a pressão sobre a necessidade de acumular informação, associada à pressão para apresentar a resposta imediata, associada à ideia de que o recurso a uma prótese qualquer por parte do cibernauta contemporâneo o transforma, através de um mero clic ou de um simples toque num ecrã, no detentor de todas as respostas necessárias.
Curiosamente, nestas situações mencionadas é sempre negado o princípio da ignorância. Ora, esse princípio não tem necessariamente nada a ver com uma eventual e tonta apologia do analfabetismo, da iliteracia ou, sequer, da ataraxia formulada por Pessoa em certos versos de desespero. Pelo contrário, o princípio da ignorância é um princípio activo, uma força em potência ainda que pareça não exisitir; mas aí está latente parecendo infinitamente pequena mas inversamente proporcional a tudo o que pode fazer existir.
Na sua fórmula metafísica, o princípio da ignorância é, na verdade, um impulsionador pragmático: não sabendo, como posso vir a saber? Não conhecendo, de que modo posso ter acesso ao conhecimento? Todos os processos de conhecimento resultaram do reconhecimento deste mesmo princípio: a Enciclopédia d’Alembert ou a Einaudi, a Biblioteca Britânica ou o cinema de Béla Tarr, a tese dos fractais... resultaram da tomada de consciência, tantas vezes apenas sob a forma de um lampejo, de se estar num estado de ignorância. A partir desse momento de reconhecimento da ignorância não se passa simplesmente a estar na posse de um conjunto de informações, muito menos se passa ao conhecimento absoluto (se é que ele existe); a partir desse momento inicia-se um processo infindável de colocação de enigmas e procura de soluções, a que se seguem outros enigmas e outras soluções, e assim sucessivamente.
As enciclopédias e os dicionários, tidos como repositórios do saber organizado e disciplinado, são de facto formas inacabadas que continuamente reclamam ser preciso regressar ao princípio da ignorância. Este, pela sua natureza, manifesta-se nos pequenos momentos experienciais: frente a um glaciar, no meio do deserto ou da imensidão de um oceano a sensação empírica de pequenez produz em nós a sensação de uma gigantesca ignorância. Dir-se-á que estas são experiências limite, experiências existencialistas no sentido psicológico. Ainda assim, este princípio pode também activar-se no confronto com uma obra literária cujo horizonte de sentidos nos aparece como inalcançável ou até infinito, ou perante o teor de uma nova tese científica ou os traços de um simples desenho que nos remeta para um tempo anterior e em que a sensação de saber aparece como resultado (equívoco) do progresso linear. Também surge no instante da paixão em que o desejo do outro que é um desejo do esclarecimento absoluto do mistério do outro – e por isso nos confina a um lugar de existência parca e pequena. Em todos os casos, à angústia do não saber corresponde a esperança de vir a saber.