domingo, 30 de novembro de 2014

80 anos da publicação de "MENSAGEM"



Data de 30 de novembro de 1934 a 1ª edição desta obra icónica de Fernando Pessoa, o único livro publicado em vida do seu autor, que viria a falecer exactamente um ano depois.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Lídia Jorge vence Prémio Luso-Espanhol de Arte Cultura 2014

 

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A escritora Lídia Jorge venceu o Prémio Luso-Espanhol de Arte Cultura 2014, atribuído pelo Ministério da Cultura de Espanha e pela Secretaria de Estado da Cultura de Portugal.
[...]
O júri justificou a atribuição deste prémio, anteriormente entregue, entre outros, a Perfecto Quadrado, Siza Vieira e Carlos Saura, por Lídia Jorge conseguir “criar uma relação e vínculo de união entre Portugal e Espanha através da sua contribuição para o conhecimento mútuo de ambos os países e, também, pelo valor da sua obra literária, que aborda algumas das questões fundamentais do nosso tempo”».

10 músicas famosas inspiradas em livros

Não deveria ser nenhuma surpresa que, como álcool e literatura, música e literatura são uma combinação feita no céu. Melhor ainda é quando um artista escreve uma canção em resposta a um trabalho literário que esteve lendo. Eis alguns exemplos:

Misty Mountain Hop de Led Zeppelin em Led Zeppelin IV
Misty Mountain Hop foi inspirada na trilogia O Senhor dos Anéis de Tolkien. Aliás, outras canções desse mesmo álbum foram também inspiradas nesta trilogia, incluindo The Battle of Evermore, inspirada na Batalha de Pelennor Fields, e também Ramble On (Ramble On é do disco Led Zeppelin II).
All I Wanna Do de Sheryl Crow em Tuesday Night Music Club
A letra de All I Wanna Do veio do poema Fun (Diversão) escrito por Wyn Cooper e está incluído em seu trabalho The Country of Here Below.
Sympathy for the Devil dos The Rolling Stones em Beggars Banquet
Os Rolling Stones basearam Sympathy for the Devil na obra-prima O Mestre e Margarida de Mikhail Bulgakov,. O livro tem muitas tramas, que são centradas numa visita do diabo a Moscou do final dos anos 20.
Clocks do Coldplay em A Rush of Blood to the Head
Clocks foi inspirada na obra Willian Tell do dramaturgo alemão Friedrich Schiller. (um fato inusitado: Hitler adorava William Tell, até mesmo citou partes em Mein Kampf).
Don’t Stand So Close to Me de The Police em Zenyatta Mondatta
O notório trabalho de Vladimir Nabokov, Lolita, foi a inspiração dessa música. Lolita conta a estória de um professor que se apaixona por uma menina e que acaba se colocando em uma situação delicada ao colocar o seu desejo em prática – exatamente como na letra de “Don’t Stand So Close To Me”. Sting (para quem não sabe, foi professor antes de se tornar músico) se apressou em avisar: Essa música não é autobiográfica!
The Call of Ktulu de Metallica em Ride the Lightning
Baseada em Call of Cthulh, que é um conto de horror do escritor norte-americano H. P. Lovecraft, contando a história de um ser extraterrestre e dos “antigos” que na mitologia “craftiana” seriam criaturas cósmicas, que teriam vindo à Terra antes desta abrigar a vida. Surpreendentemente inspirou um grande número de músicas, incluindo esta versão do Metallica.
O album Animals do Pink Floyd
O clássico de George Orwell, Revolução dos Bichos, foi a inspiração para todo o álbum.
Ao longo das três músicas principais, todas elas com mais de 10 minutos de duração Roger Waters equivale os humanos a cada uma das três espécies de animais: cães (Dogs), porcos (Pigs), ou carneiros (Sheep). Os cães são usados para representar os homens de negócios megalomaníacos que acabam por serem arrastados pela própria pedra que atiraram. Os porcos representam os políticos corruptos e os moralistas (com referências directas a Margaret Thatcher e a Mary Whitehouse). Os que não se enquadram nestas duas categorias são carneiros, que sem pensamento próprio, cegamente seguem um líder.

To Tame a Land de Iron Maiden em Piece of Mind
To Tame a Land foi baseado na obra-prima de ficção científica de Frank Herbet, Duna. Aliás, Iron Maiden (Corrigido: Valeu pela correção!!) é uma banda muito literária: eles escreveram canções inspiradas em livros em diversos livros, incluindo O Fantasma da Ópera, O Nome da Rosa, Senhor das Moscas, e poesia clássica de autores como Alfred, Lord Tennyson e Samuel Taylor Coleridge.
The Fool on the Hill dos The Beatles em Magical Mystery Tour
The Beatles conseguiram sua inspiração para esta canção no clássico de Henry Fielding, Tom Jones, considerado por muitos o primeiro romance moderno.
O album Haunted de POE
Poe é uma cantora / compositora americano. Foi inspirado no livro House of Leaves (Casa de Folhas) de Mark Z. Danielewski, que é seu irmão, e basicamente apresenta uma história de terror conturbada e que intriga a mente de quem a lê. O álbum inteiro de Poe foi baseado neste livro. Apenas não o escute se você possui cantos e corredores desconhecidos na sua casa.
E você, tem mais alguma música ou albúm para indicar? Comente conosco!
A Leitora Angelina postou o seguinte:
“Um detalhe sobre o álbum Magical Mystery Tour, dos Beatles é que a canção “I am the Walrus” teve inspiração no livro “Alice no país das maravilhas” de Lewis Carroll, entre outras coisas que incentivaram John Lennon a escrevê-la”.
Douglas lembrou:
“Mto bom o post, vale lembrar que a música “The Thign That Should Not Be” do album Master of Puppets do Metallica tbm foi baseada na obra de Lovecraft.”
Edelyla lembrou de mais uma:
“Muito legal este post, só não se esqueçam que The Resistance, do Muse, tem várias referências a 1984 do George Orwell.”
Fonte: Examiner com contribuições óbvias do Wikipedia.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Cronologia dos descobrimentos portugueses

http://ensina.rtp.pt/artigo/timeline-descobrimentos/

Quando s precisamos de perceber o plano da história de Os Lusíadas (Camões), por exemplo, ou da Mensagem (Fernando Pessoa), a contextualização histórica pode cimentar noções espácio-temporais ...

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Cultura - Séculos de fábula portuguesa num catálogo onlin


«Um catálogo informatizado em torno da fábula na literatura portuguesa está disponível online, abarcando o período compreendido desde a Idade Média à época contemporânea. Para Ana Paiva, investigadora da Universidade Nova, ligada ao projecto «A Fábula na Literatura Portuguesa», «a atenção que a fábula tem merecido por parte do ensino em Portugal é muito escassa». Porém, «ela está presente constantemente no discurso do quotidiano, no mundo infantil, no universo popular».

http://www.cafeportugal.pt/pages/estudos_artigo.aspx?id=8296#

domingo, 23 de novembro de 2014

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

"Quem Disser o Contrário é Porque Tem Razão"


“Suspeitemos da literatura"


Quem Disser o Contrário é Porque Tem Razão, o novo livro de Mário de Carvalho, reúne anos de reflexão sobre o acto de escrever. A experiência, argumenta, confirma que são poucos os génios e muitos mais os charlatões.

“Estas são reflexões de um homem de ofício", avisa Mário de Carvalho. E um dos principais convites a quem entrar neste que guia de escrita de ficção, que é também um guia de leitura (porque “dificilmente haverá um bom escritor onde não houver um bom leitor”) é o convite à suspeita. “Suspeitar que há outros mundos, outra gente, outros livros, outras ideias, de que pode haver uma coisa e o seu contrário", como sugere logo à entrada o título, algo provocatório, Quem Disser o Contrário é Porque Tem Razão. É o mais recente livro de Mário de Carvalho. Não é ficção, não gosta de lhe chamar ensaio porque foge às regras da academia. “Acho que se dissermos que é uma divagação encontramos mais ou menos a forma deste livro”, esclarece o autor que reuniu em cerca de 300 páginas anos de reflexões sobre o acto de escrever.

Leia, observe, anote, pense no que quer fazer — e trabalhe muito. Numa sinalética simplista, esta podia ser a síntese, incompleta e até talvez até errada, porque isso de se “dever fazer” assusta este autor que insiste na suspeita, embora não se coíba de apontar caminhos e fale mesmo de pactos essenciais em ficção, como o que se faz entre o escritor e o leitor. Não um pacto tranquilo, mas que permita passar a emoção, perceber a ironia; que a partir de uma série de referências comuns – culturais, de vida – haja uma relação de entendimento, nem que seja pelo desacordo. Por isso também o leitor está sempre a ser para aqui chamado. Ele e escritor são um uno. Na obra a construir e em todas as partilhadas na construção do tal colectivo para que qualquer escritor quer falar. “Dificilmente levo a sério um escritor que não tenha uma base de leituras. Não quer dizer que sejam aquelas que eu sindico no livro, simplesmente temos de partir de um cânone — nem que seja para o rejeitar, mas quando rejeitamos temos saber o que estamos a rejeitar. Uma escrita que não tenha em conta a tradição literária, que ignore uma espessura que vem de trás e esteja sempre a descobrir coisas que já estão descobertas, é uma escrita que não vale a pena”, refere Mário de Carvalho para começo de uma conversa com o Ípsilon sobre um livro que é também uma resposta a muito “charlatanismo” numa área que se convencionou chamar, tantas vezes de forma abusiva, de ensino da escrita criativa. “Isto é um negócio de auto-ajuda e muitas vezes essas regras são-nos apresentadas com um grande assertivismo. Eu tento demostrar no meu livro que grandes autores, dos tais que se ‘devem’ frequentar, como o Maupassant ou o Flaubert ou o Tchékhov, transgrediram essas normas habituais nos cursos de escrita criativa  e transgrediram em grande, a ponto de muitas vezes fazerem o contrário”, continua Mário de Carvalho, cauteloso sempre que usa a palavra “deve-se” a não ser quando se trata do dever de se conhecer, enquanto leitor, obras fundadoras.


Mário de Carvalho fala agora de originalidade, uma qualidade que se “exige” a quem escreve. Para a defender enquanto valor, recupera a tal tradição em que se deve fundar a escrita. “Os livros fazem-se sobre livros e contra livros. Há uma tradição literária. Não estou a defender o conservantismo, estou a falar de formas artísticas que se transmitem de geração em geração e entram no tal acervo que aceitamos ou rejeitamos — temos de trabalhar com ele ou contra ele. É preciso conhecê-lo e depois toca a rebelar-nos. Entendo isso perfeitamente. Há imensos exemplos históricos que já se tornaram canónicos de gente que se rebelou contra o cânone.” Muita da história da literatura do século XX é feita de rebeliões contra os cânones literários, lembra: “Estou a pensar nos dadaístas e nos surrealistas, que ainda hoje são lidos e que não podemos deixar de frequentar quando pensamos numa literatura transgressiva. Temos de ver que aquilo existiu, que já está lá, não vamos repeti-los.” Não faltam exemplos de textos com sucesso mas que revelam essa falta de saber para trás e que “não resistiriam ao simples teste da página 99”. Outra regra simples, defendida por muitos para aferir da qualidade de um texto: abra-se um livro na página 99 e percebe-se se vale a pena continuar. “Não vale a pena comer um ovo estragado todo para saber se ele está mesmo estragado. Basta uma página ou duas de um livro para ver em que base é que se afirma, se o autor é original ou nos está a dar fórmulas requentadas, repisadas por séculos e séculos de literatura. O autor pensa que está a inventar, mas está apenas a repetir, a reproduzir. Isso é um bocado penoso de ver. A utilização muito alegre e desprevenida da banalidade, do lugar-comum; ao fim e ao cabo, a repetição do que está feito.”
Partindo de exemplos de obras que considera referências literárias (e aqui é preciso ter sempre em conta alguma subjectividade, a da escolha do autor), Mário de Carvalho dá uma enorme e completa aula de escrita. Dividido em seis capítulos, por sua vez subdivididos em 59 pontos práticos, o guia agora publicado desmonta o trabalho oficinal por trás de uma obra de ficção. Dá conselhos, aponta erros comuns, desfaz ideias feitas, mostra que o óbvio nem sempre é assim tão clarividente, revela dicas para o bom uso da língua e os efeitos que cada decisão tem na obra de ficção que se está a construir. No tom provocatório que Mário de Carvalho gosta de colocar no que faz e diz, este podia se um guia comportamental. Mas Mário de Carvalho prefere a justificação simples e clara: “Partindo da minha já longa experiência de escrita e de todas as contingências pelas quais o escritor passa, pensei que poderia ter interesse, nomeadamente para jovens autores, mas até para o próprio leitor, perceber a génese destas coisas."

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Dos traçados geométricos de uma vida, o legado de quem deu a voz à poesia e desenhou o rosto dos poetas e dos músicos

no podcast SONS DA ESCRITA

http://www.jamor.eu/se/


"Continuo a olhar os barcos e as nuvens.
Desgraçadamente, temos quase tudo para esquecer e, apenas, uma ou duas coisas para lembrar.
É entre o esquecer e o lembrar que nos encontramos, nesse território da memória irremediável, causa perdida, afinal. Mas sempre viva."


José António Moreira (1950-2014)