quarta-feira, 22 de abril de 2015

HOJE É O DIA DA TERRA

Quer saber qual é o seu animal? O Google responde.

Dia da Terra 2015
Para celebrar o Dia da Terra, o motor de busca da Google tem hoje um doodle  interativo que promete revelar um pouco da personalidade dos utilizadores.
 
 Trata-se de um questionário que, no final, irá revelar que animal o utilizador é.
Ao clicar no doodle, o motor de busca sugere um pequeno jogo com cinco perguntas, com quatro possibilidades de resposta para cada uma:
- 'o que planeia para uma sexta-feira normal', podendo, aqui, escolher ficar 'sozinho na toca', ser 'raramente visto no exterior', 'mostrar o que valho' ou 'seguir o rebanho'.
- 'aparece numa festa com roupa igual à do seu melhor amigo. Qual a sua reação?'.
- 'escolha um lanche': 'marisco', 'frutas e/ou insetos', 'carne' e 'salada'.
-  'o que procura num parceiro', podendo escolher entre 'cores vivas', 'grunhidos altos', 'um sistema complexo de glândulas' e 'valores antiquados'.
- 'escolha um passatempo': 'provas de força', 'trabalhar por casa', 'natação' ou 'nenhuma das opções' anteriores'.
 
No fim, o Google diz-lhe o animal que é e ainda sugere que faça uma pequena pesquisa sobre a criatura que melhor o descreve.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Mariano Gago (1948-2015), o ministro cientista

Pôs a  ciência na agenda política. Desenvolveu a ciência, instituiu avaliações internacionais, tornou o país membro de grandes organizações europeias. Em suma, fez da ciência portuguesa o que ela é hoje.

Deve-se-lhe a criação de uma série de alicerces. Surge então a FCT, a sucessora da JNICT. É lançada a Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, que tem hoje uma rede de centros pelo país e cujo ex-libris é o Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. “A Ciência Viva é uma das coisas mais inovadoras que Mariano Gago deixa. Uma agência como a Ciência Viva não existe em todos os países do mundo. Muitos cientistas estrangeiros perguntam-nos: ‘Vocês têm uma agência só para a cultura científica?’”, refere ainda Carlos Fiolhais. “O Pavilhão do Conhecimento tem actividades que atraem desde miúdos de três ou quatro anos até aos avós. É um legado de Mariano Gago”, diz também o investigador Alexandre Quintanilha, que é presidente do conselho científico do Pavilhão do Conhecimento.

Fonte:  http://www.publico.pt/ciencia/noticia/morreu-mariano-gago-1692766

segunda-feira, 13 de abril de 2015

SEMANA DA LEITURA na ESJE

A poesia vai invadir algumas salas, hoje e amanhã, com o Grupo Poético de Aveiro.
Na quarta-feira e na sexta, através de várias experiências científicas, vamos comprovar que "Newton Gostava de Ler".
Na quinta-feira é dia de estarmos com as nossa equipas  (3º ciclo e secundário) na fase distrital do Concurso Nacional de Leitura, que este ano se realiza em Albergaria-a-Velha.

SEMANA DA LEITURA na ESJE - "Palavras do Mundo"

HISTÓRIA DAS PALAVRAS
As mulheres e os homens estavam espalhados pela Terra.
Uns estavam maravilhados, outros tinham-se cansado.
Os que estavam maravilhados abriam a boca,
Os que se tinham cansado também abriam a boca.
Ambos abriam a boca.
Houve um homem sozinho que se pôs a espreitar esta diferença - havia pessoas maravilhadas e outras que estavam cansadas.
Depois ainda espreitou melhor:
Todas as pessoas estavam maravilhadas,
depois não sabiam aguentar-se maravilhadas e ficavam cansadas.
As pessoas estavam tristes ou alegres conforme a luz para cada um - mais luz, alegres – menos luz, tristes.
O homem sozinho ficou a pensar nesta diferença.
Para não esquecer, fez uns sinais numa pedra.
Este homem sozinho era da minha raça – era um Egípcio!
Os sinais que ele gravou na pedra para medir a luz por dentro das pessoas
Chamaram-se hieróglifos.
Mais tarde veio outro homem sozinho que tornou estes sinais ainda mais fáceis.
Fez vinte e dois sinais que bastavam para todas as combinações que há ao Sol.
Este homem sozinho era da minha raça – era um Fenício.
Cada um dos vinte e dois sinais era uma letra.
Cada combinação de letras uma palavra.
Todos os dias faz anos que foram inventadas as palavras.
É preciso festejar todos os dias o centenário das
palavras.
 
Almada Negreiros

terça-feira, 7 de abril de 2015

PRÉMIO LITERÁRIO JOSÉ ESTÊVÃO

   Regulamento do Concurso 2014-2015

Artº 1º- O Prémio Literário é instituído na modalidade de Prosa (Conto) de tema livre.
 
Artº 2º- O Prémio Literário destina-se a todos os alunos das escolas da cidade de Aveiro.
 
Artº 3º- Os candidatos dividem-se em dois escalões, a saber:
. Escalão A – 3º Ciclo do Ensino Básico.
. Escalão B – Ensino Secundário. 
 
Artº 4º- Os prémios, por escalão, para cada modalidade são:
Escalão A – 3º Ciclo do Ensino Básico: 100 euros e Material Escolar.
Escalão B – Ensino Secundário: 200 euros.
 
Artº 5º- A data limite para a entrega dos trabalhos será o dia 8 de maio.
 
Artº 6º- O trabalho a produzir terá um número máximo de 8 páginas, em formato A4, dactilografadas a 1.5 espaço, em Times New Roman, corpo 12.
 
Artº 7º- Os candidatos ficam obrigados a apresentar cinco exemplares do trabalho subscritos com um pseudónimo, em envelope fechado, contendo no interior a verdadeira identidade, com referência à idade, morada, estabelecimento de ensino que frequenta e no seu exterior, o mesmo pseudónimo e o escalão a que concorre.
 
Artº 8º- O prémio literário será atribuído por um júri constituído por três professores/individualidades de reconhecido mérito, presidindo à reunião deliberativa, sem direito a voto, o Diretor do Agrupamento de Escolas José Estêvão.
 
Artº 9º- As decisões do júri serão anunciadas publicamente até ao dia 22 de maio de 2015.
 
Artº 10º- De acordo com a qualidade dos trabalhos, o júri poderá propor a atribuição de menções honrosas e/ou não atribuir prémios.
 
Artº 11º- 1. A entrega dos prémios será feita em sessão pública no dia 25 de maio, aos candidatos ou às pessoas por quem se fizerem representar.
 
2. A divulgação dos trabalhos premiados será feita presencialmente e pelo próprio autor, caso este assim o entenda. 
 
3. Todos os trabalhos a concurso estarão disponíveis para consulta na biblioteca da ESJE.
Artº 12º- Os casos omissos e as dúvidas de interpretação deste regulamento serão resolvidos pelo júri.
 
Artº 13º- Das decisões do júri não cabe recurso.

sexta-feira, 27 de março de 2015

No Dia Mundial do Teatro, o poema "O Actor" de Herberto Hélder


O ator acende a boca. Depois os cabelos.
Finge as suas caras nas poças interiores.
O ator põe e tira a cabeça
de búfalo.
De veado.
De rinoceronte.
Põe flores nos cornos.
Ninguém ama tão desalmadamente
como o ator.
O ator acende os pés e as mãos.
Fala devagar.
Parece que se difunde aos bocados.
Bocado estrela.
Bocado janela para fora.
Outro bocado gruta para dentro.
O ator toma as coisas para deitar fogo
ao pequeno talento humano.
O ator estala como sal queimado.

O que rutila, o que arde destacadamente
na noite, é o ator, com
uma voz pura monotonamente batida
pela solidão universal.
O espantoso ator que tira e coloca
e retira
o adjetivo da coisa, a subtileza
da forma,
e precipita a verdade.
De um lado extrai a maçã com sua
divagação de maçã.
Fabrica peixes mergulhados na própria
labareda de peixes.
Porque o ator está como a maçã.
O ator é um peixe.

Sorri assim o ator contra a face de Deus.
Ornamenta Deus com simplicidades silvestres.
O ator que subtrai Deus de Deus, e
dá velocidade aos lugares aéreos.
Porque o ator é uma astronave que atravessa
a distância de Deus.
Embrulha. Desvela.
O ator diz uma palavra inaudível.
Reduz a humidade e o calor da terra
à confusão dessa palavra.
Recita o livro. Amplifica o livro.
O ator acende o livro.
Levita pelos campos como a dura água do dia.
O ator é tremendo.
Ninguém ama tão rebarbativamente como o ator.
Como a unidade do ator.

O ator é um advérbio que ramificou
de um substantivo.
E o substantivo retorna e gira,
e o ator é um adjetivo.
É um nome que provém ultimamente
do Nome.
Nome que se murmura em si, e agita,
e enlouquece.
O ator é o grande Nome cheio de holofotes.
O nome que cega.
Que sangra.
Que é o sangue.
Assim o ator levanta o corpo,
enche o corpo com melodia.
Corpo que treme de melodia.
Ninguém ama tão corporalmente como o ator.
Como o corpo do ator.

Porque o talento é transformação.
O ator transforma a própria ação
da transformação.
Solidifica-se. Gaseifica-se. Complica-se.
O ator cresce no seu ato.
Faz crescer o ato.
O ator atifica-se.
É enorme o ator com sua ossada de base,
com suas tantas janelas,
as ruas -
o ator com a emotiva publicidade.
Ninguém ama tão publicamente como o ator.
Como o secreto ator.

Em estado de graça. Em compacto
estado de pureza.
O ator ama em ação de estrela.
Ação de mímica.
O ator é um tenebroso recolhimento
de onde brota a pantomina.
O ator vê aparecer a manhã sobre a cama.
Vê a cobra entre as pernas.
O ator vê fulminantemente
como é puro.
Ninguém ama o teatro essencial como o ator.
Como a essência do amor do ator.
O teatro geral.

O ator em estado geral de graça.

(Herberto Hélder, "Poemato" III)

terça-feira, 24 de março de 2015

HERBERTO HELDER - sugestão de leitura

Herberto Helder deve grande parte da sua notoriedade a esta obra, que se configura como um livro de contos onde a fantasia do poeta se disciplina por um mínimo de enredo e de referências claramente objectivas, o que o reporta a um transcendentalismo que possui ainda algo de romântico. Mas, mais do que um livro de contos onde Herberto Helder reuniu textos de uma excepcional qualidade poética, Os Passos em Volta é uma deambulação particular por diversas vertigens, que prenuncia o volume de autobiografia romanceada Apresentação do Rosto (1968). Ambas estas obras se inscrevem num tipo de literatura pouco praticada entre nós, uma literatura de «diagnóstico psicótico», em que a auto-interpretação deriva directamente da interpretação dos sonhos. A literatura tem assim como objectivo, ajustar as experiências do narrador ao ângulo de recepção do leitor.

Os Passos em Volta representam os passos de um homem que lucidamente tenta descobrir o sentido da sua existência, e que não conseguindo obter nenhuma resposta a partir do transcendente, tenta traduzi-lo para a matéria do presente. Deste modo, o único sentido para a vida será o poema-corpo, donde parte e onde regressa o viajante que, das coisas que viu, traz uma «sabedoria vil, esmagadora». É considerando o corpo como sagrado e milagroso que o percurso da idade assume um carácter redentor, sendo que assim o viajante atinge o Reino da Utopia: um «lugar de sol» no país da linguagem.

Fonte:
http://www.citi.pt/cultura/literatura/poesia/helder/pas_vol.HTML


HERBERTO HELDER : 1930-2015


O poeta das edições limitadas vivia em quase reclusão, recusou receber o Prémio Pessoa e nunca se deixava fotografar.
Herberto Hélder (de seu nome completo Herberto Hélder de Oliveira) nasceu no Funchal, ilha da Madeira, no dia 23 de Novembro de 1930. Morreu ontem e foi um dos maiores Poetas do nosso tempo.


AOS AMIGOS

Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
— Temos um talento doloroso e obscuro.

Construímos um lugar de silêncio.
De paixão.


(IN Lugar )

domingo, 22 de março de 2015

Leitura(s)

Há Viagens e Viagens  IN    http://dererummundi.blogspot.pt/
Por Eugénio Lisboa

Heureux qui, comme Ulysse,
a fait un beau voyage.
Du Bellay

Quase ninguém é indiferente ao apelo à viagem. E quase toda a gente inveja Ulisses, que, se não fez, exactamente, uma boa viagem, como canta Du Bellay, perpetrou, pelo menos, uma longuíssima e acidentada odisseia de retorno.
 
Há gostos para tudo. Du Bellay invejava Ulisses. Gide torcia o nariz à odisseia do grego, porque, no fim da viagem, esperava-o Penépole, que, para sempre, o iria amarrar ao lar. Exaltava, em contrapartida, Sindbad, o das Mil e Uma Noites, por ser livre como um passarinho: no fim da viagem, esperava-o, não uma amarra, mas uma nova viagem. Para Gide, também, uma viagem era apenas o prefácio à viagem seguinte, em contraste com a de Ulisses, que não passou de uma obrigatória navegação de regresso. Gide tinha igualmente um lar à espera, em Cuverville, mas fazia de conta que não dava por isso, e traiu, tanto quanto pôde – e sem complacências – a sua fiel Penélope que, para o caso, se chamava Madeleine. O que ele queria, está-se a ver, era copiar, com “gusto” e mesmo frenesi, o fluir libérrimo do marinheiro Sindbad.
 
Viajar tem boa e tem má imprensa. Há quem elogie, há quem diga mal e há quem, simplesmente, se aborreça. O actor e escritor Al Boliska propôs uma definição célebre que hoje anda citada por todo o lado: “Viajar de avião”, disse ele, “são horas de tédio interrompidas por puro terror.” Ainda assim, Boliska só critica o viajar de avião, não todo o viajar. Mas há quem demita qualquer espécie de viagem. O conhecido romancista Paul Theroux, com obra assinalável transposta para o cinema, observava que “viajar só é glamoroso em retrospecto”, isto é, só funciona depois de terminada a viagem, ao contá-la, ao serão, aos amigos. William Trevor dizia o mesmo, de outra maneira: “Ele só viajava para poder voltar para casa”, isto é, o melhor da viagem era o regresso. Nem Ulisses foi tão longe: suspeito que gostou mais da ida do que da volta…
 
De entre os demolidores do mito da viagem, citarei o talvez mais antigo (será?): Sócrates, que disse, imaginem, esta barbaridade: “Vê um promontório, uma montanha, um mar, um rio e viste tudo.” Como se não houvesse rios e rios, promontórios e promontórios, cidades e cidades! Quem pode ser de opinião que o Amazonas é o mesmo que qualquer pífio afluente de um rio de trazer por casa… Quem pode afirmar que ver Leiria é o mesmo que ver Paris ou Veneza! Ou como se Florença fosse o mesmo que Alguidares de Baixo! Ou como se o Iguaçu não diferisse grande coisa das pindéricas “cascatas” da Namaacha, da minha saudosa infância africana!
 
Claro que é preciso saber viajar, saber ver e, sobretudo, gostar de ver. Viajar por viajar é inútil e fica caro. Como dizia o outro, não vale a pena dar a volta ao mundo só para contar o número de gatos que há em Zanzibar.Viajar pode ser também uma fonte involuntária de conflito conjugal: viajar para onde? Os gostos diferem e está aí uma causa de briga. Isto mesmo observava Paul Sweeney, quando, saborosamente, notou: “Um dos maiores destruidores de felicidade conjugal é a escolha de um lugar para passar férias. Do que este país precisa é de um oceano na montanha.”
 
Mas não viemos aqui falar, hoje, dos que não sabem nem gostam de viajar. Viemos antes falar de alguém – Guilherme d’Oliveira Martins – que, à frente do Centro Nacional de Cultura, e a partir deste, rodeado de outros empenhados viajantes, amigos de conhecer, se meteu às sete partidas do mundo: “Na Senda de Fernão Mendes”, tal é o título do livro que recentemente deu à luz.
 
Porquê viajar? Qual, mais precisamente, o “porquê” de Oliveira Martins? Ele responde com meridiana clareza, logo no prefácio, a que deu o aliciante e revelador título de “Portugal me traz peregrinando”. Nestes termos: “…ao lermos Fernão Mendes Pinto ou Diogo do Couto facilmente entendemos como a viagem é matéria-prima de vida e de literatura, de existência e pensamento. A viagem torna-se, assim, consequência e continuidade da confluência de diversos povos e influências, num extraordinário cadinho de diferenças. A hospitalidade tem consequência no desejo de encontro do diferente, de outros lugares e de outras gentes. O fascínio da viagem ganha, assim, força e sentido.”
 
Não se trata, pois, de um exercício de mero mimetismo – viajar porque toda a gente viaja – mas de um profundo empenho vital (“matéria-prima de vida”), de obediência a um irresistível “fascínio”. É isso que dá vitalidade a este relato de um bom punhado de viagens ao encontro do mundo que o português criou ou, mais simplesmente, às vezes, o mundo por onde o português andou. E dá-lhe um suplemento não desprezível de vitalidade a imensa cultura do relator, que dela se serve com agilidade e “timing” surpreendentes. Há sempre um livro, um texto, uma passagem colhidos em autores que Oliveira Martins frequentou com mão diurna e nocturna e que iluminam um momento da viagem, um momento histórico, uma avenida esplendorosa…
 
O livro dá-nos uma larga fatia de mundo (mas não dá, hélas!, Moçambique): a Índia, o espectacular Iguaçu, Cracóvia, S. Petresburgo, Omã,  Japão, Malaca, Brasil, China, Cabo Verde, S.Tomé, Galiza, México, Mediterrâneo Oriental, Istambul, Trieste, a Eslovénia… Um mundo realmente vivido, mais do que apenas visitado, comentado com cultura sanguínea e não com seca erudição. Os portugueses – os grandes e os menos grandes – andaram por aqui e deles todos nos dá o relator vívida e afável conta.
 
Viajar – o convite à viagem! Há quem proteste em termos paradoxais: “É pena”, dizia Chesterton, “as pessoas viajarem por países estrangeiros; estreita-lhes de tal maneira o espírito.” Sterne, no seu imenso Tristram Shandy, não vai tão longe, mas faz uma recomendação: “Um homem deve também conhecer alguma coisa do seu próprio país, antes de ir para o estrangeiro.” Oliveira Martins documenta, substancialmente, esse conhecimento e essa preocupação: na Parte II (“De Portugal Abrange-se o Mundo”) dá-nos uma boa amostra de Portugal, à boleia de Garrett, de Antero, de França,de Ruben A., de Pomar, de Teixeira-Gomes…
Por outras palavras, Portugal não fica esquecido no tinteiro, antes, é saborosamente revisitado, com cicerones de excepção. “De norte para sul,” diz Oliveira Martins, abonando-se nesse almocreve cintilante, que é Miguel Torga, “começa por se fixar no Reino Maravilhoso - «do meu Marão nativo abrange-se Portugal; e de Portugal abrange-se o mundo.» E sentimos que sempre houve e haverá reinos maravilhosos e sofremos o calafrio do assombro. Portugal é para Miguel torga um totem, uma referência altiva e permanente. Foi daqui que partiu o escritor para ver o mundo.” Bom discípulo, Oliveira Martins fez o mesmo, com bons companheiros, de olhos bem abertos e sempre havendo Portugal e os portugueses como referência. “Viajar é quase como falar com homens de outros séculos”, dizia Descartes. Nesta sua incansável peregrinação, Oliveira Martins não tem feito outra coisa.
 
(Texto publicado anteriormente no "Jornal de Letras").